Polícia tucana compromete programa de Haddad na Cracolândia

Publicado em quinta-feira, Janeiro 23, 2014 ·

Enquanto a Prefeitura de São Paulo comanda uma ação humanista e respeitosa com relação aos dependentes químicos da Cracolândia, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil, que são comandados pelo governo do estado, fizeram uma operação truculenta na região nesta quinta-feira (23) com uso de balas de borracha e cassetetes. Uma pessoa ficou ferida.

 

Ação de policiais civis foi executada de surpresa| Agência Estado

Um evento está sendo convocado, via Facebook, para repudiar a ação. O ato será nesta sexta-feira (24) às 15 horas em frente à Secretaria de Segurança Pública, na Rua Libero Badaró, 39, no Centro de São Paulo.

De acordo com o jornal Estadão, “por volta de 16h, cerca de dez viaturas cercaram os dependentes de crack que não estão inseridos no programa assistencial e estavam concentrados na Rua Barão de Piracicaba. Os policiais civis atiraram balas de borracha e jogaram diversas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo na multidão, que correu a esmo e revidou jogando pedras. O quarteirão estava lotado de dependentes”, como relatam os repórteres Bruno Ribeiro e Laura Maia de Castro.
Em coletiva, o prefeito Fernando Haddad (PT), classificou a ação como “lamentável”. “Todas as ações têm sido pactuadas. Essa ação não foi pactuada com o governo municipal. Se tivéssemos tomado conhecimento, não concordaríamos com a maneira como foi procedido”, afirmou. “Os agentes do município estão sendo convocados, porque estão em choque com o que aconteceu”, disse Haddad. O prefeito ainda disse que ligou para o governador Geraldo Alckmin para expor a situação.

Em nota, a Prefeitura considerou que o programa Braços Abertos, que contava justamente com a ausência de repressão dos dependentes, foi prejudicado e terá dificuldades para prosseguir. “Repudiamos esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A ‘Operação de Braços Abertos’ é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.”

Entre os dependentes, o clima foi de revolta. Muitos gritavam desesperados, chorando diante da ação surpresa. “Que hotel que nada, eles querem é matar a gente”, disse uma mulher grávida que corria da polícia.

A reportagem relata ainda que um casal que preferiu não se identificar disse que a polícia entrou no hotel da operação Braços Abertos na Rua Triunfo. “Eu estava dentro do banheiro coletivo no corredor e, quando saí, eles pediram identidade. Pedi para pegar meu bebê recém-nascido e tive que esperar eles levantarem se eu era fichada do lado de fora antes de amamentar o ‘neném’. O bebê tem apenas 2 meses”. “Nós estamos reconstruindo a vida com esse programa. Não vimos as bombas porque estávamos no curso.”

Outro lado

O Denarc nega operação surpresa e o uso de balas de borracha. Segundo o departamento, policiais foram à Cracolândia por volta das 12h com o intuito de prender um traficante de 27 anos. Ao chegar lá, com uma viatura, os três policiais afirmam ter sido agredidos por traficantes e moradores. Por isso, o Denarc diz ter voltado ao local com mais 10 viaturas, quando começou o confronto.

Operação Braços Abertos

A primeira fase da operação consistiu na desmontagem dos barracos usados como moradia nas ruas Dino Bueno e Helvétia, no centro da capital paulista. Em seguida, os moradores foram encaminhados a hotéis alugados pela prefeitura naquela região.

O projeto prevê ainda a oferta de três refeições gratuitas por dia e a contratação para serviço de varrição e zeladoria com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$ 15 por dia de trabalho. A operação era bem avaliada pela gestão Haddad, que esperava mais dificuldades do que as surgidas até agora, e diariamente os secretários responsáveis pelo trabalho têm feito vistorias.

Operação Sufoco

Em 2012, em parceria com o então prefeito Gilberto Kassab (PSD), Alckmin encabeçou a Operação Sufoco, que tentou afastar os dependentes químicos da região, rebatizada de Nova Luz, e que seria privatizada pela administração municipal. A retirada dos moradores de rua foi à base de repressão, violência e resultou na difusão dos dependentes químicos por várias regiões do centro.

Veja o vídeo da TV Estadão:

Da Redação do Portal Vermelho,
com informações do Estadão e da Rede Brasil Atual

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