Polícia revela que facção cometia 60% dos crimes na Grande João Pessoa e ordenava até esquartejamentos

Publicado em quarta-feira, setembro 19, 2012 ·

Gravações telefônicas realizadas com autorização judicial revelaram conversas de presos pela Operação Esqueleto, deflagrada na madrugada desta quarta-feira (19) na Grande João Pessoa, ordenando esquartejamentos, rebeliões em presídios, incêndios e assaltos a ônibus.

A operação foi realizada nas cidades de João Pessoa (capital da Paraíba), Bayeux e Santa Rita, na região metropolitana. Segundo a polícia, o grupo é acusado de promover cerca de 60% dos crimes cometidos na Grande João Pessoa.

Em uma das gravações, um detento ordena a um interlocutor encarregado da execução: “Tem que deixar cortado em pedacinhos, igual a uma galinha”. A polícia monitorava os telefonemas que partiam dos presídios da capital paraibana. “Esse grupo é muito violento, inclusive ordenou esquartejamentos de um homem confundido com um estuprador e de duas mulheres. São criminosos que estão dispostos a qualquer situação para cumprir o dever, que é ceifar vidas”, declarou o secretário da Segurança e Defesa Social, Cláudio Lima.

A polícia ainda descobriu que um prédio no bairro dos Bancários, zona sul de João Pessoa, estava sendo construído com dinheiro do tráfico de drogas.

Ao todo, 335 policiais, sendo 240 civis, 60 militares e 35 rodoviários federais, participaram da ação, que teve origem a partir de uma investigação realizada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil.

No total, 42 pessoas foram presas. Os detidos foram levados para a Central de Polícia, na Capital.

Operação Esqueleto prendeu 42 pessoasCréditos: Aguinaldo Mota

Sargento da PM preso

Durante o cumprimento de 50 mandados de prisão, o sargento Arnóbio, da Polícia Militar, que também é candidato a vereador no município de Bayeux, foi detido acusado de realizar a segurança do sub-chefe da facção criminosa ‘Al Qaeda’, identificado apenas como ‘He-man’.

O nome do sargento é Arnóbio Gomes Fernandes, 45 anos. Ele é natural de Mari, na região da Mata paraibana, distante 65 quilômetros da capital João Pessoa, e tem apenas curso superior incompleto. No site do Tribunal Superior Eleitoral (DivulgaCand), Sargento Arnóbio declarou possuir uma casa no valor de R$ 200 mil.

O Sargento Arnóbio Gomes Fernandes já havia sido preso na Operação ‘Águas Limpas’, deflagrada no mês de agosto de 2010. Na época, ele foi acusado de tráfico de armas e formação de grupos de extermínio no Estado.

Ramificações em todo Estado

De acordo com o delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE), Cristiano Jacques, responsável pela ação, os policiais vasculharam ruas das cidades para desbaratar a facção criminosa ‘Al Qaeda’, responsável por uma onda criminosa na região metropolitana de João Pessoa e na cidade de Patos, no Sertão paraibano, distante 300 quilômetros da Capital.

Facções criminosas

As facções criminosas ‘Al Qaeda’ e ‘Estados Unidos’, segundo a própria PM, dividem o território do crime na capital paraibana e em municípios circunvizinhos. A rixa entre as duas facções já provocou diversos assassinatos entre seus integrantes.

Esquartejamentos

Segundo o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Cláudio Lima, o grupo preso nesta quarta-feira é responsável pelos esquartejamentos de três pessoas.

O primeiro crime foi cometido no dia 29 de maio de 2012, onde o corpo de um homem, não identificado, foi encontrado no bairro dos Funcionários I. Ele teria sido confundido com estuprador, mas as investigações da polícia revelaram que a vítima fazia parte de uma facção criminosa rival.

No segundo caso, os corpos de duas mulheres, também não identificados, foram deixados dentro de três sacos plásticos, na rua Heitor Vilas Lobo, também no bairro Funcionários I. Desta vez, o crime ocorreu no dia 06 de junho de 2012. Na época, a polícia chegou a apreender cinco suspeitos – sendo dois maiores e três adolescentes – no bairro do Cristo Redentor.

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