Pelo menos oito PMs envolvidos em morte de jovem na PB são afastados

Publicado em quinta-feira, agosto 9, 2012 ·

Pelo menos oito policiais militares envolvidos no caso do suposto espancamento de um jovem em Campina Grande foram afastados dos cargos nesta quarta-feira (8). Eles são investigados por participação no crime, que levou à morte de Tiago Moreira. Segundo o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Souza Neto, eles continuam trabalhando no setor administrativo da polícia, mas foram afastados do trabalho nas ruas.

Também nesta quarta, a Delegacia de Homicídios de Campina Grande recebeu o laudo preliminar da morte do jovem. De acordo com a delegada Cassandra Duarte, o laudo feito pelo Núcleo de Medicina Legal (Numol) confirma que o corpo tinha marcas de agressão e escoriações graves, mas elas não são apontadas como a causa da morte. A delegada de Homicídios já ouviu familiares de Tiago e pessoas do hospital onde ele foi deixado. Os PMs podem começar a ser ouvidos nesta quinta-feira (9).

O afastamento dos policiais foi um pedido da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Campina Grande. “Quando um fato dessa natureza acontece, o mínimo a ser feito é afastar os policiais de suas atividades profissionais diárias, até em proteção a eles, pois o próprio PM não fica em condições de trabalho e além disso eles são suspeitos de cometer um crime grave. A morte de um cidadão”, afirmou o presidente da Comissão, Moisés Morais.

Segundo a delegada, o laudo preliminar apresenta alguns exames feitos logo após a morte do técnico em monitoramento eletrônico e ainda é impreciso, já que não define a causa da morte. “Vamos esperar pelo laudo final, que deve chegar na semana que vem”, disse. O laudo final, segundo ela, terá fotos do corpo e o resultado da autópsia. Ele será utilizado no inquérito policial, que deve ser concluído em 30 dias.

Os detalhes da investigação, ela não adiantou e não comentou sobre a possibilidade de indiciamento dos policiais militares. O delegado regional de Campina Grande, Marcos Paulo, disse que a Polícia Civil vai realizar uma simulação do espancamento no local onde tudo teria acontecido para ajudar nas investigações. A simulação acontecerá às 14h desta quarta-feira (8).

A direção do hospital já havia informado que o médico que atendeu o rapaz afirmou que ele já chegou morto à unidade. Segundo um funcionário, que pediu para não ser identificado, o médico foi obrigado pelos policiais a registrar no relatório médico que Tiago Moreira havia chegado vivo ao hospital. Conforme o secretário de Segurança Cláudio Lima, o médico que disse ter sido coagido a mentir no relatório do Hospital Doutor Edgley também já prestou depoimento.

 O crime
A esposa da vítima, Alessandra Alves, disse que Tiago Moreira teve uma crise de abstinência de  drogas e acabou invadindo a casa de um policial para pedir ajudar. A casa do PM fica a menos de 30 metros da casa da vítima. Lá, segundo Alessandra, ele teria sido espancado e assassinado. A família denuncia que doze policiais agrediram a vítima, mas o comandante negou a acusação. De acordo com o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Souza Neto, o policial e a esposa dele foram agredidos por Tiago e chamaram reforço policial para conter o rapaz.

G1 PB

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