PB tem 58 açudes em situação crítica; fenômeno causa chuva, mas não recarrega mananciais

Publicado em sexta-feira, outubro 21, 2016 ·

boqueiraoO fenômeno natural que causou um temporal e destruição no município de Bonito de Santa Fé, que fica no Sertão paraibano, a 487 km de João Pessoa, não ajudou a recarregar o principal açude do município, o Bartolomeu I, que conta com apenas 267,9 mil metros cúbicos (m³), ou 1,5%, da capacidade total de 17,5 milhões de m³. Além dele, outros 57 mananciais também estão em situação crítica, com menos de 5% da capacidade, deixando a Paraíba com apenas 441 milhões de m³ de um total de 3,7 bilhões de m³ que podem ser acumulados em todos os mananciais.

De acordo com a meteorologista Marle Bandeira, o fenômeno foi identificado como Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, que já era esperado devido ao forte calor da região.

“O que causou a chuva na região foi um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis. Essas chuvas rápidas e repentinas são esperadas para esta época do ano, que é muito quente. Porém, os estragos não foram causados pelas chuvas, mas pelos fortes ventos”, contou Marle Bandeira.

Situação dos açudes

Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), por conta da estiagem prolongada, 58 dos 126 açudes monitorados estão com menos de 5% da capacidade de estoque. Outros 33 estão com volume abaixo dos 20% e apenas 36 reservatórios estão com mais de 20%.

A pior situação, de acordo com o presidente da Aesa, João Fernandes, é na região do Curimataú do estado, onde o abastecimento vem se complicando nos municípios de Picuí, Nova Floresta, Cuité, Barra de Santa Rosa, Algodão de Jandaíra e Remígio.

Em audiência com o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, João Fernandes lembrou que dos 223 municípios paraibanos, 196 estão em colapso por falta d´água.

“Explicamos a gravidade do problema provocado pela maior seca dos últimos 50 anos e pedimos agilidade na conclusão da obra da transposição. O ministro disse que as águas do São Francisco devem chegar em fevereiro de 2017 em Monteiro. Mas, com base nos relatórios técnicos lidos e nas observações de campo que fizemos, acreditamos que isto vai acontecer mesmo em abril”, afirmou João Fernandes.

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