Para Marcelo Rezende, jornalismo investigativo é “sinônimo de frustração, não de glamour”

Publicado em sexta-feira, novembro 25, 2011 ·

marcelo-rezende-gO atual apresentador do programa “Repórter Record”, da emissora homônima, Marcelo Rezende, tem, em sua trajetória profissional, 30 anos dedicados ao jornalismo investigativo. Passou pela Rede Globo, emissora em que conduziu o “Linha Direta”, também apresentou o “Cidade Alerta”, na própria Record, e, na RedeTV!, o extinto “Repórter Cidadão”.
Ainda que sua imagem esteja diretamente ligada ao jornalismo de TV atualmente, Rezende também atuou em veículos impressos, como a revista Placar, e dedicou parte de sua carreira a reportagens investigativas envolvendo temas como contrabando, tráfico de drogas, pirataria e corrupção. Também conduziu entrevistas históricas e polêmicas, como a do “Maníaco do Parque” para o semanal “Fantástico”.


Antes de ir definitivamente para a Record, em setembro de 2010, Rezende teve uma breve passagem pela Band, onde apresentou o “Tribuna na TV”. O cenário simulava o de um tribunal e exibia casos de polícia narrados pelo jornalista. Ainda que tenha seus compromissos com os estúdios, ele não abre mão de ir para a rua. Faz disso uma busca diária. “Passei a trabalhar mais como apresentador, mas ainda vou à rua fazer o que mais gosto: correr atrás da noticia”.
Quando perguntado por IMPRENSA se a visibilidade que a TV proporciona não atrapalha nas apurações delicadas, ele admite que sim, mas reconhece que existe o outro lado. “A visibilidade às vezes atrapalha, mas, na maioria das vezes, abre portas, facilitando muito a investigação”.
Em meio a uma onda de glamorização do jornalismo investigativo, Rezende aponta que o termo remete mais à frustração do que qualquer outra coisa. “Às vezes, você passa meses numa reportagem e lá na frente uma peça não encaixa. E você tem que começar tudo outra vez”.
O jornalista alerta que o cuidado com reportagens deste nicho deve ser dobrado. “Um erro e você pode arrasar reputações, destruir famílias, denunciar um inocente. É muita responsabilidade e, por isso, você passa a vida entre tensão, medo de errar e tudo o que cerca a sua responsabilidade”.
Investigativo e policial
Rezende admite que, atualmente, existe confusão entre os termos ‘investigativo’ e ‘policial’. “O primeiro parte de uma informação e vai montando o quebra-cabeça até fechar a reportagem. Faz-se pouco por que o investimento é alto. Fazer jornalismo investigativo na TV torna-se mais difícil em função dos equipamentos”.

Para o jornalista, a tecnologia tem contribuído para apurações investigativas. “No inicio, você trabalha sozinho, mas chega a hora de gravar – câmera, luz, ajuste de áudio… É muita coisa para complicar. A microcâmera veio ajudar porque diante de uma câmera normal é difícil colher o flagrante, o depoimento ou coisas do gênero”.

Portal Imprensa
Com Luiz Gustavo Pacete
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