Papa retira Dom Odilo Scherer e mais três cardeais de comissão que supervisiona Banco do Vaticano

Publicado em quarta-feira, Janeiro 15, 2014 ·

papaO Papa Francisco adotou nesta quarta-feira novas medidas para reorganizar o Banco do Vaticano e renovou quatro dos cinco cardeais de uma comissão responsável por supervisionar as operações financeiras da instituição, dentre eles o brasileiro Dom Odilo Scherer e Tarcisio Bertone – que foi amplamente culpado por muitas das falhas administrativos do Vaticano. Somente o cardeal francês Jean-Louis Tauran permaneceu no cargo. O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018.

Francisco praticamente anulou o decreto de Bento XVI, substituindo Bertone e outros membros da comissão do banco, chamado oficialmente de Instituto de Obras Religiosas. Em 16 de fevereiro de 2013, dias antes de anunciar sua renúncia, Bento XVI havia confirmado os membros do conselho de supervisão do banco por cinco anos. Entre eles estava o assistente e secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, que foi amplamente culpado por muitas das falhas administrativas do Vaticano, sob o comando de Bento. De acordo com fontes do Vaticano​​, Bertone havia pedido ao Pontífice para ser mantido na presidência da comissão, mesmo depois de sua saída como Secretário de Estado.

 

Francisco nomeou outros quatro cardeais, incluindo seu secretário de Estado, Pietro Parolin, e Santos Abril e Castello, um amigo. Os outros membros são o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, e o cardeal Thomas Collins, arcebispo de Toronto.

 

No meio do ano passado, o Papa nomeou um amigo de confiança, o monsenhor Battista Ricca, para ocupar o cargo de supervisor e designou uma comissão de investigação independente para examinar as atividades do banco e seu status legal. Em 2012, Ettore Gotti Tedeschi, então presidente do banco, foi demitido sob acusação de incompetência e não fazer o seu trabalho corretamente. A comissão de peritos, nomeada no verão passado por Francisco, deverá apresentar as primeiras conclusões na próxima reunião do “G8”dos cardeais (grupo de oito cardeais encarregados pelo Papa da reforma das instituições do Vaticano), em fevereiro.

 

Processo de mudanças

Em vários setores, o Papa está desmantelando o círculo do ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone, frequentemente culpado pelas turbulências no papado de Bento XVI e que, para muitos, foram o principal motivo de sua renúncia em fevereiro de 2013. Em setembro, por exemplo, Francisco retirou o cardeal Mauro Piacenza, um italiano conservador aliado de Bertone, do comando da poderosa Congregação para o Clero. Piacenza foi nomeado ao cargo em 2010. Hoje, está na Penitenciária Apostólica, um tribunal para assuntos internos do Vaticano.

 

As mudanças são parte de um amplo processo de remodelação da Igreja Católica conduzido por Francisco de forma constante e gradativa em pouco menos de um ano de pontificado, sem afetar, no entanto, a doutrina da instituição. Segundo religiosos, funcionários da Santa Sé, políticos e diplomatas ouvidos pelo jornal “New York Times”, o atual clima dentro do Vaticano varia de adulação à incerteza e profunda ansiedade, até mesmo paranoia.

 

De forma mais ampla, o Pontífice vem combatendo a tradicional proximidade entre políticos italianos conservadores e religiosos do país. O Vaticano continua a ser uma instituição desproporcionalmente italiana – o país ostenta o maior bloco de cardeais ao mesmo tempo em que responde por apenas 4% dos católicos do mundo.

O Globo

 

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