Padre Bosco – Manter Viva a Esperança

Publicado em quinta-feira, junho 14, 2012 ·


 

Estou um pouco ausente das atividades nesses quinze dias. Mesmo assim, não posso deixar de lado a minha reflexão para os meus leitores e leitoras. Segue a minha modesta colaboração ao contraponto.

Uma das maiores dificuldades do nosso tempo talvez seja a falta de esperanças.  As pessoas vivem o seu dia a dia, cumprindo rotineiramente as suas tarefas sem acreditarem no que estão fazendo. Prevalece uma ideia nociva de que tudo está perdido e que não vale a pena mais lutar. Nesta logica, cada pessoa vai pensando apenas em si e nos seus. Esquece-se do mundo e esquece os outros. Vamos assim perdendo a visão mais ampla que deve fazer parte da vida de cada ser: um mundo melhor e uma vida fraterna para toda humanidade.

Esta situação egocêntrica do ser humano o torna cada vez mais limitado em si mesmo, escravo de si e morto em seu próprio eu. A quem já morreu não interessa mais nada e mais ninguém.

Ampliando esta visão para o sistema penitenciário, vamos perceber que a indiferença é uma consequência inevitável para a situação em que vivemos. Nada mais grave do que um estado indiferente às questões humanas mais urgentes.

Em São Paulo temos o maior numero de presos do país. A pastoral carcerária tem denunciado o estado pela maneira irresponsável como vem prendendo e matando os pobres, negros, moradores de rua, etc. Ao invés de uma politica de segurança publica existe uma politica para a eliminação dos pobres. O Rio de Janeiro tem cumprido bem este papel, como é do nosso conhecimento.

No sistema prisional o estado brasileiro e todos os estados empurram a situação com a barriga. Quem dirige o sistema, nos estados, o faz por indicação politica, sem habilidade, sem vocação, sem competência, sem querer acreditar no que faz, por isso mesmo, o sistema está como está. O caos que a bíblia retrata no começo da criação retrata bem o que vivemos na politica para o sistema penal brasileiro.

Quem dirige o sistema prisional tem pleno conhecimento de tudo o que acontece, até porque se fala sempre de um serviço de inteligência. Através dele, nada deveria passar despercebido. O que se percebe é que ou é a inteligência do sistema não funciona ou a inteligência das pessoas. Aparecem situações gritantes que não se coadunam com a situação prisional.

Temos que trabalhar o ideal da vida humana e colocar em pratica os princípios humanos e cristãos. Acabar a ideia de que o mundo está perdido. É preciso enxergar que muitas pessoas pelo mundo a fora, em todas as áreas estão fazendo o bem e apostando no bem.

Quem só enxerga desgraças dentro das unidades prisionais não está conseguindo enxergar tudo. Existem muitos gestos de solidariedade e ajuda mutua. No sistema prisional também existem pessoas querendo fazer o bem. Nem sempre conseguem, pois o sistema de prisão é sempre voltado para o mal e muitas pessoas somam com ele.

Quem tem fé em Deus, jamais vai deixar de fazer o bem, jamais vai viver sem esperanças, jamais vai fazer o mal contra o mundo e contra o próximo. A pessoa de fé é essencialmente alguém que cultiva a esperança em sua vida. O sistema prisional pode ser diferente. A única coisa que falta é a vontade de fazer e colocar em pratica a própria vontade. Por enquanto são outras vontades que não ajudam e que agravam mais a situação.

Padre Bosco

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