ONG defende proibição de publicidade voltada ao público infantil

Publicado em terça-feira, Maio 1, 2012 ·

 

A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse na sexta-feira (27/04) que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida. A especialista participou do seminário “Regulação Sanitária e Desenvolvimento Econômico e Social”, promovido pela Revista Carta Capital, em São Paulo.
“Defendemos que a população de menos de 12 anos não receba nenhum tipo de comunicação de mercado, nenhum tipo de publicidade, de merchandising, de marketing que fale com ela, que tente incentivá-la a consumir produtos e serviços”, apontou
Segundo a coordenadora do Alana, até a faixa de 12 anos as crianças não têm condições de analisar criticamente as mensagens que recebem. “A criança é muito vulnerável, é muito suscetível a esses apelos publicitários. Elas também são ‘muito literais’ e recebem as mensagens como dados da realidade, porque não têm os filtros que os adultos possuem.”
O ideal é que a publicidade de produtos e serviços voltados para esta faixa de público seja direcionada aos seus cuidadores.  “Que pais e responsáveis façam a mediação dessa criança com o universo comercial”, disse. “Porque o pai pode fazer análise crítica dessa mensagem e definir dentro do poder familiar que ele tem, inclusive legalmente, se é adequada ou não.”
Isabela aponta que o problema é justamente a falta da presença de um adulto para mediar a comunicação entre o mercado e os pequenos “A mensagem publicitária fala diretamente com a criança e passa por cima do poder familiar”, explicou.
Isabela ressaltou que a responsabilidade de regular o que pode ser direcionado ou não ao público infantil é do Estado. A autorregulação das empresas  – normas definidas pelo próprio setor – não é suficiente.
Além de cobrar ações efetivas do governo federal para diminuir o impacto da publicidade sobre as crianças, ela lembrou a importância das brincadeiras e atividades recreativas, melhoria geral da qualidade dos alimentos e a necessidade de campanhas educativas voltadas a pais e educadores. “Faltam ações concretas na ponta, no dia a dia, com as crianças”, apontou.

Suzana Vier, Rede Brasil Atual
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