Oito em cada dez agricultores com empréstimo estão inadimplentes na Paraíba

Publicado em sexta-feira, Abril 22, 2011 ·

agricultorOito em cada dez agricultores que tomaram financiamento bancário estão inadimplentes com os bancos, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag-PB). “Além do acúmulo das dívidas que cresceram ao longo dos últimos anos com a correção monetária e juros, a forte estiagem de 2010 provocou perda histórica, inviabilizando uma renegociação do financiamento dos empréstimos dos pequenos agricultores. Na verdade, há algumas dívidas mais antigas que considero impagáveis, superando, inclusive, o valor das propriedades”, declara o presidente da Fetag-PB, Liberalino Ferreira de Lucena.

No ano passado, a escassez das chuvas na região do semiárido paraibano provocou a maior queda da safra de grãos dos últimos 12 anos no Estado. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção foi de apenas 28 mil toneladas, o que representou uma retração de 84% quando comparada à safra do ano de 2009 (172,8 mil), que já foi considerada abaixo do esperado. “Sem rendimento de sua produção, a seca do ano passado comprometeu a renda da maior parte dos agricultores, impossibilitando uma renegociação, mesmo tendo um canal aberto com as instituições”, declarou Liberalino.

Outro fator que também influenciou na alta da inadimplência dos pequenos agricultores nos últimos anos, segundo o presidente da Fetag-PB, foi a ausência de orientação na assistência técnica e a postura de algumas entidades que trabalham junto aos agricultores. “Essas instituições alimentaram algo que não previa o contrato do financiamento bancário: que os empréstimos seriam a fundo perdido. Mas a questão vai além da seca. Sempre defendi o acompanhamento do homem do campo diferente dos moldes atuais, pois falta pessoal e as visitas são esporádicas. Não adianta você conceder um incentivo ou financiar plantio se não tiver próximo desse produtor para orientá-lo e estabelecer um relacionamento. Infelizmente, os agricultores paraibanos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ou dos assentamentos não estão sendo acompanhados corretamente”, revelou Liberalino Ferreira, que não quis citar nomes das instituições que influenciaram a não honrar o pagamento do empréstimo.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa-PB), Mário Borba, os médios e grandes produtores, situados no semiárido, também sofrem com acúmulo de dívidas. “O produtor do semiárido do Nordeste precisa de uma política diferenciada de crédito. Não é possível que o financiamento de alto risco, como é o caso do semiárido nordestino, fique nas mesmas condições de quem produz no Sul e Sudeste. Quanto maior o risco maior o subsídio. Essa flexibilidade é fundamental”, aponta.

“Recentemente, tivemos uma audiência com o Ministério da Fazenda e técnicos do BNB para reivindicar uma Medida Provisória de correção na lei para garantir uma renegociação dos médios produtores, que estão sendo barrados para renegociações de empréstimos. A culpa não é dos gerentes dos bancos que se mostram com boa vontade em renegociar, mas precisamos deixar mais claro essa normatização da lei para o ato da renegociação, que deixa brecha para divergência na interpretação. Precisamos flexibilizar mais essa lei para que a classe média produtora tenha direito e vez. Atualmente, somente se fala de renegociação dos pequenos agricultores inscritos no Pronaf, mas se dá pouca atenção a quem na prática garante a produção dos alimentos: os médios e grandes produtores”, alertou Mário Borba.

JP

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