O voto nulo: protesto ou irresponsabilidade?

Publicado em quarta-feira, outubro 22, 2014 ·

Aline Rebelo
Aline Rebelo

No primeiro turno, mais de 11 milhões de pessoas foram até as urnas, mas não escolheram nenhum candidato a presi­dente. A soma de brancos e nulos no úl­timo dia 6 alertou muitos para o desin­teresse da população pelo pleito.

A opção de alguns movimentos é o vo­to nulo como modo de protesto contra o atual sistema político. Argumentam que nenhum dos candidatos possa fa­zer a reforma no capitalismo, já que am­bos recebem financiamento das mes­mas empresas e mantêm acordos polí­ticos parecidos.

O professor da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado, argumenta que entende esse posicionamento da es­querda, mas que devido ao cenário que está sendo posto nessa eleição “não pa­rece responsável votar nulo”.

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Já Thiago Pará, do Levante da Juven­tude, tem críticas fortes às organizações que pregam o voto nulo. Para ele, o dis­curso de “é tudo igual e tanto faz quem ganhar” é inconseqüente e o mo­mento é de se tomar uma posição.

“O voto nulo, ineficaz como voto de protesto, é essencialmente um voto ir­responsável. As organizações que hoje convocam voto nulo, ou mesmo deixam margem para esta opção, nada mais fa­zem que se abster de influenciar os ru­mos do país”.

Frei Sergio, do Movimento dos Pe­quenos Agricultores, também declara que não é hora de vacilações. “O que es­tá em jogo é muito grande. Voto em Aé­cio é crime político contra os pobres e voto em branco ou nulo é omissão im­perdoável neste momento da história”.

Douglas Belchior, da Uneafro, que confirmou voto em Dilma, argumenta que respeita o voto nulo, mas não con­corda com ele na conjuntura do segun­do turno.

“Mesmo que o número de votos nulos, somados aos brancos e às abstenções alcançassem índices ainda mais expressi­vos que os do primeiro turno, não acre­dito que surgiria daí uma alternativa de esquerda com um projeto maduro e com apoio popular, capaz de substituir o que temos. Cabe a nós assumir nossas fragi­lidades e reconhecer a baixa adesão po­pular às ideias progressistas”.

 

Por Bruno Pavan,

 

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