O papel dos Grupos de Trabalhos na organização do movimento sindical

Publicado em quinta-feira, Maio 10, 2012 ·

 

O Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba (SINTEFPB) promove, nesta segunda-feira (14), uma palestra sobre o papel dos Grupos de Trabalhos na organização do movimento sindical. A palestra, que será proferida pelo professor Marcos Neves, do Departamento Acadêmico de Língua (DALTEC), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), acontecerá no auditório do Campus de João Pessoa, do IFPB, a partir das 09h00. Marcos Neves é Diretor da Pasta de Políticas Educacionais do SINASEFE.

Durante todo dia, os três Grupos de Trabalho locais (GT Carreira, GT Políticas Educacionais e GT Raça Gênero), estarão reunidos para a construção das pautas que serão encaminhadas aos GT’s nacionais; iniciando com o GT Carreira, cuja reunião acontecerá em Brasília, nos dias 17 e 18, deste mês.

A professora Vania Medeiros, da Coordenação Geral do SINTEFPB, entrevistou o professor Marcos Neves, sobre a importância dos Grupos de Trabalhos, no atual contexto da política sindical nacional. Acompanhe a entrevista:

Vania Medeiros (SINTEFPB): Professor Marcos, como você entende o papel dos Grupos de Trabalhos (GT’s) na organização do movimento sindical?

Marcos Neves: A composição de uma diretoria do Sindicato é feita por um número restrito de pessoas que por mais capacitadas que sejam não conseguirão dar conta de todas as tarefas políticas e administrativas do dia-a-dia. Portanto, quando somos colocados diante de desafios que exigem um esforço de produção teórica sobre determinado tema, como por exemplo, o PRONATEC, faz-se necessário mobilizar os companheiros(as), que não estejam, necessariamente, na direção do sindicato, para cumprir estas tarefas. Desta forma, o Grupo de Trabalho assume o papel de ser um espaço plural de análise e formulação de propostas que devem ser encaminhadas às nossas instâncias deliberativas de forma mais sistematizadas, facilitando assim as deliberações da categoria.

Vania Medeiros (SINTEFPB): De que maneira os GT’s fortalecem as Políticas de Educação no âmbito institucional dos IF’s?

Marcos Neves: O Sindicato deve articular, à todo momento, três tarefas centrais: defender os interesses de classe dos seus sindicalizados, formular políticas públicas para educação, no nosso caso em particular para educação básica, profissional e tecnológica, e ser um agente de fiscalização da aplicação dos recursos públicos rompendo assim a tradição patrimonialista do
Estado brasileiro. À medida que cumprimos estas três tarefas, como operadores da política pública de Educação na ponta do processo, estaremos contribuindo para que os IF`s façam parte efetivamente da “res pública” e, portanto, sejam efetivamente entes institucionais que universalizem direitos constitucionais.

Vania Medeiros (SINTEFPB): Que destaque você dar ao GT-Políticas Educacionais nos contextos dos IF’s e da Política Nacional de Educação?

Marcos Neves: Se os Sindicatos vinculados aos (as) trabalhadores (as) da educação não cumprirem a tarefa de formular as políticas públicas para educação, será muito mais difícil que outros sindicatos de trabalhadores venham formulá-las, pois faltarão interlocutores qualificados para tal. As produções acadêmicas podem contribuir, porém não podemos esquecer que também elas são influenciadas pela capacidade do nosso Sindicato produzir movimento e fatos políticos. Caso não façamos este esforço de constituir um GT-PE estaremos, na prática, renunciando à produção de uma teoria critica para a educação.

Vania Medeiros (SINTEFPB):  Como você percebe a crise no movimento sindical e suas soluções?
Marcos Neves: É difícil responder esta questão no pouco espaço que temos neste Boletim do Sindicato, porém podemos dar algumas pistas. Numa época de refluxo e isolamento social do movimento dos trabalhadores por diversas razões conjunturais (como na época da ditadura militar ou como da década de 90 – hegemonia do pensamento neoliberal ou como atual momento) prevalece a dinâmica da vanguarda do movimento cuja tradição de fragmentação organizativa é grande. Porém quando a conjuntura política se reverte e os trabalhadores perdem a ilusão, quanto aos seus governantes, ocorre um ascenso das mobilizações e nossas organizações são oxigenadas pela participação ativa das bases e a exigência de unidade de ação é colocada na ordem do dia. É nesse momento que as falsas direções são varridas pela história e a superação da crise é dada.

Vania Medeiros (SINTEFPB): Qual a importância do GT-Carreira neste momento político?

Marcos Neves: Primeiro precisamos convencer a nós mesmo e ao Governo Federal que somos uma Carreira Típica de Estado, ou seja, romper com a lógica da Reforma de Estado do Bresser Pereira da década de noventa, e que continua sendo implementada pelo Governo Dilma, de que educação, saúde, ciência e tecnologia e a cultura são espaços em que as políticas públicas podem ser executadas por processos de terceirização ou “publicização” de nossas autarquias, como dizia Bresser. Segundo, precisamos fazer com que estejamos presentes, através dos GT, em todos os espaços de sociabilização dos novos servidores para que se apropriem da história construída até aqui e que levaram às atuais carreiras do PCCTAE e EBTT. Por último, enfatizo a necessidade de consolidar um espaço onde as reflexões teóricas sobre os princípios que norteiam nossas carreiras encontrem progressiva sistematização e registro da memória dos debates acumulados, para que não tenhamos que, à todo momento, ficar “inventando a roda”.

Vania Medeiros (SINTEFPB): O que representa o GT Raça – Gênero para o contexto educacional e político?

Marcos Neves: Num país que foi o último da América a abolir a escravidão negra, e onde o racismo aparece de forma dissimulada, qualquer iniciativa que provoque uma reflexão sobre as consequências desta história no nosso cotidiano deve ser bem vinda. O mesmo deve ser estendido à questão de gênero. Uma questão central que deve ser atacada pelo movimento sindical é refletir sobre a sua prática interna que leva a uma categoria que têm na sua base 50% de mulheres não conseguir ter nas direções dos IFs e nas Seções Sindicais nem 10% de presença feminina.

Assessoria de Imprensa

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