O Maraca é dele: Hernane faz três gols, e Fla goleia e elimina o Botafogo

Publicado em quarta-feira, outubro 23, 2013 ·

hernane_golflamengo_andredurao_95Maracanã e Hernane têm uma relação muito íntima. É como uma atração incontrolável. A bola parece ter um ímã que a faz procurar a chuteira do atacante. E, mesmo que ela pare na perna que não é a boa, que o chute saia mascado, ou mesmo venha pelo alto, não tem jeito: a rede balança. Com o pé esquerdo e de cabeça, o Brocador fez três gols – ainda sofreu o pênalti convertido por Léo Moura – na vitória por 4 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo na noite desta quarta-feira. Na comemoração, o atacante fez um sinal como se jogasse o coração para a torcida. Os rubro-negros agradecem: o time está classificado para a semifinal da Copa do Brasil. Como a outra partida terminou 1 a 1, qualquer vitória garantiria a vaga neste que foi o primeiro encontro dos rivais na competição nacional.

O Flamengo foi superior e soube explorar bem as jogadas pelo lado esquerdo de seu ataque, principalmente com Paulinho. Contou com a sorte no primeiro gol, é verdade, mas taticamente foi melhor diante de 50.505 pagantes (59.848 presentes). O último gol coube a Léo Moura, aniversariante do dia.

– Eu conversei com o Léo. Os meninos pediram para eu bater, mas peguei a bola para dar de presente para ele. Para quem não acreditava no Hernane, graças a Deus estou dando alegria para essa torcida. Vou trabalhar para ser sempre decisivo. Meu sentimento, não sei explicar. Sei que minha mãe está muito feliz, porque liguei para ela, e falou para ter calma, que eu seria decisivo. Passei minha meta, que era de 30 gols no ano – afirmou Hernane, autor de 31 gols em 2013, maior número do futebol brasileiro, empatado com Magno Alves, do Ceará.

Os alvinegros, na saída de campo, tentavam explicar a derrota.

– Ninguém esperava esse placar elástico, não fizemos um jogo para tomar de 4 a 0.

Vínhamos jogando bem, mas depois do primeiro gol o time não se encontrou. Foi contra-ataque em cima de contra-ataque, e eles aproveitaram as oportunidades – disse Jefferson.

Agora o Fla aguarda o vencedor do confronto entre Vasco e Goiás, às 21h desta quinta-feira, no Maracanã (o primeiro jogo foi 2 a 1 para os goianos). Antes de voltar a pensar na Copa do Brasil, porém, o time encara a Portuguesa, no domingo, às 16h, no Castelão, pelo Campeonato Brasileiro. Agora concentrado somente no nacional, o Botafogo recebe o Atlético-MG, sábado, às 18h30m, no Maracanã.

Hernane gol Flamengo jogo Botafogo Copa do Brasil (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)Hernane indica o placar depois de fazer os três primeiros gols (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)

O caminho é pela esquerda

Quis Jayme de Almeida que Paulinho caísse mais pelo lado esquerdo. Quis também que Luiz Antonio atuasse mais por aquele lado para ajudar na marcação quando André Santos fosse ao ataque. Deu certo. Não deu foi para Gilberto. Substituto do suspenso Edilson, o lateral-direito sofreu. Paulinho costumava voltar até o meio de campo para buscar a bola, e quando atacava se garantia no drible ou na velocidade. Já havia ele próprio driblado dois adversários antes de chutar para a defesa de Jefferson.

Mas o esforço do atacante não seria recompensado com gol. No Maracanã parece que há um decreto: no estádio, gol do Flamengo é com o Hernane. É tão impressionante essa simbiose com o estádio, que mesmo em uma jogada que parece perdida, ela para nos pés do Brocador. Marcelo Mattos tentou afastar, acertou Rafael Marques e Hernane fez.

É preciso ressaltar que no segundo gol a jogada foi toda de Paulinho até o goleiro adversário espalmar para o meio. Aí não importa se o chute não é com o pé bom, se a bola toca na grama antes. Na sobra, Hernane marcou.

O Botafogo, atordoado, encontrava dificuldade para criar chances. O 4-2-3-1 dessa vez não funcionava. Rafael Marques, único atacante, voltava. E quanto voltava geralmente um dos três meias (Seedorf, Gegê e Lodeiro) se posicionava na frente. A falta de uma referência pesou.

Hernane gol Flamengo jogo Botafogo (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Hernane sofre pênalti e deixa Leonardo Moura cobrar (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Artilheiro do Maracanã quer mais

Oswaldo de Oliveira viu que havia um problema sério para segurar a bola no campo ofensivo. Trocou o volante Marcelo Mattos pelo atacante Sassá para dar mais volume ao time na frente. Surtiu efeito. O time começou a ameaçar mais. Atrás é que nada parecia mudar. Gilberto não desgrudava de Paulinho. André Santos não estava nem aí para o embate. Pegou  pela esquerda, cruzou, e a bola procura: gol de cabeça de Hernane, o 31º na temporada, o 14º no Maracanã – é o artilheiro do estádio desde a sua reabertura.

O nervosismo tomou conta dos alvinegros. Na arquibancada alguns torcedores começaram a deixar o estádio. E os que ficaram ouviam um sonoro “olé” vindo do lado rubro-negro. Taticamente dava sinais de desorganização. Existia um buraco, bem aproveitado quando Carlos Eduardo tocou na frente para Hernane. Tinha tudo para ser o quarto gol, mas Dória o empurrou na área, cometeu o pênalti e foi expulso. De presente, o Brocador entregou a bola para o aniversariante do dia Leonardo Moura cobrar e fazer o quarto.

Os botafoguenses que ainda acreditavam, começaram a ir embora com 27 minutos. O som vindo do outro lado era cada vez mais provocador. Sem muito o que fazer, o Botafogo passou a esperar o Flamengo para ter a posse no momento certo, pois a inferioridade numérica e ausência de um zagueiro e com apenas um volante, pediam cautela. Enquanto isso, os rubro-negros pediam: “mais um, mais um”. O gol não saiu, mas a noite estava completa para eles. Teve até parabéns para Léo Moura quando o árbitro apitou o fim da partida.

globoesporte.com

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