NICE ALMEIDA – Cristão

Publicado em sexta-feira, Abril 29, 2016 ·

A Paraíba inteira vinha assistindo, há algum tempo, as denúncias que pesavam contra o arcebispo Dom Aldo Pagotto. Aliás, lembro muito bem que o líder católico no Estado nunca conseguiu conquistar a simpatia de todos os seus fiéis. Meu avô Manoel, por exemplo, nutria uma certa antipatia por ele, porém discreta, tendo em vista o bom missionário que meu avô era e, por essa razão, preferia não tecer comentários a respeito.

A antipatia de muitos tinha uma razão de ser. Logo que chegou à Paraíba Dom Aldo trouxe consigo a pesada bagagem da acusação de ter, supostamente, acobertado crimes de pedofilia dentro da igreja no Ceará, de onde vinha. Era um escândalo e um escárnio para a igreja católica e todos murmuravam o caso pelos cantos, sem no entanto, terem coragem de repudiar a suposta atitude.

Entretanto, não estou aqui para, me permitam a expressão, chutar cachorro morto. É preciso sempre evoluir em nossas ideias e no nosso senso de justiça, tomando por base os ensinamentos do próprio Jesus, que amou de tal maneira ao ponto de conseguir perdoar até os mais graves crimes da humanidade, à época.

De repente me peguei pensando: tudo conspira contra Dom Aldo. São muitas as denúncias, as acusações, as informações. Foram poucos os com coragem de denunciá-lo e, talvez, muitos os que se esconderam por trás dessas denúncias.

E, para piorar a situação, quem conhece o mínimo de história sabe que há séculos a igreja católica se vê envolta em denúncias de pedofilia e tantos casos horrendos de crimes contra crianças e jovens.

Eu, particularmente, dentro desse meu mínimo, mas mínimo mesmo, conhecimento da história tenho tantas coisas contra atitudes de alguns religiosos e aqui mesmo nesse espaço já escrevi uma coluna intitulada “Eu prefiro as bruxas”, porque tenho conhecimento de tantas maldades ocorridas dentro da igreja católica, além da pedofilia.

Mas, no catolicismo, assim como em todas as outras crenças e religiões, há sim pessoas boas e pessoas más, porque a maldade humana não vem da crença e nem da religião que elas seguem. A maldade humana é algo que está dentro dos corações de pessoas ruins e vai além, mas muito além mesmo de qualquer credo.

É, portanto, diante de tudo isso, de todos esses motivos que eu pergunto: e se Dom Aldo for inocente?

Em um dos trechos de sua carta-renúncia o arcebispo, agora emérito da Paraíba, diz “acolhi padres e seminaristas, no intuito de lhes oferecer novas chances na vida. Entre outros, alguns egressos, posteriormente suspeitos de cometer graves defecções, contrárias à idoneidade exigida no sagrado ministério. Cometi erros por confiar demais, numa ingênua misericórdia”.

Não! Não estou defendendo Dom Aldo! Também não estou acusando! Nem tampouco o julgando. Aliás, não sou ninguém para nenhuma dessas atitudes. Não cabe a mim!

Estou apenas dizendo que toda história tem dois lados. E é preciso conhecer todos os lados dessa história a fundo, antes de nos darmos o direito de julgar e condenar Dom Aldo.

Eu, sinceramente, poderia estar aqui jogando pedras e mais pedras diante do pouco que conheço da história de denúncias como essas direcionadas a Dom Aldo.

Mas juro a vocês, prefiro me dar o direito da dúvida!

 

 

 

 

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