Nice Almeida – O “track” de Maranhão falhou

Publicado em quarta-feira, abril 20, 2011 ·

As segundas-feiras geralmente são bem complicadas nas editorias de política na Paraíba. Normalmente pouco movimento e muitos telefones desligados. Mas, hoje (04) parecia que ir ser diferente. A entrevista agenda pelo ex-governador José Maranhão (PMDB) prometia um dia cheio de novidades e muitas “bombas”. No entanto, o máximo que nós vimos foi um pequeno track que nem ao menos funcionou, essa que é a verdade.


Expectativa gerada, todos os jornais, sites, TVs e rádios mobilizaram seus repórteres em busca de números que pudessem contestar e quiçá até comprovar que os dados apresentados pelo governo atual tivessem alguma falha. Manchete era o que todos queriam e acreditavam que teriam com a quebra do silêncio de Maranhão.


Entretanto, a manchete só se deu porque o simples fato do ex-governador ter resolvido falar já gerou notícia. Fora isso, nada, absolutamente nada que o peemedebista disse foi digno de espaço grandioso ou de manchetes com “letras garrafais” nas páginas, telas ou microfones do jornalismo paraibano.


Muito mal assessorado, aliás como sempre, Maranhão não conseguiu provar que os números apresentados pelo atual governo eram mentirosos. Primeiro porque ele não trouxe outros números que pudessem colocar em xeque os apresentados pela atual administração estadual e, segundo, porque nenhum argumento do peemedebista convenceu.


Contrariado com as perguntas, Maranhão admitiu as contratações exageradas feitas em seu governo e disse que os dados mostrados pelo Sagres, do Tribunal de Contas do Estado, não podiam ser contestados. De acordo com o Sagres, em 2010, o ex-governador contratou quase seis mil novos funcionários e aumentou o valor da folha de pagamento em R$ 22,5 milhões.


Em dado momento ele até chegou a admitir, também, que talvez, quem sabe, de alguma forma poderia ter ocorrido a existência de funcionários “fantasmas” em seu governo, mas justificou a possibilidade colocando a culpa nos cartórios que, segundo ele, podem ter deixado de comunicar as mortes dos ditos cujos a Secretaria de Administração do Estado e, por isso, provavelmente pode ter ocorrido o erro.


A seu favor ele apenas disse que a dívida de R$ 1,3 bilhão anunciada pelo governo de Ricardo Coutinho é mentira, que ele não deixou o Estado quebrado e que todas as acusações do novo governador são levianas. Ele falou, mas não comprovou que o atual governo está mentindo.


Moral da história: Maranhão falou, falou, falou, falou e não disse nada.

Nice Almeida
Jornalista

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