Não estou preocupado com campanha dos médicos contra Dilma, diz Padilha

Publicado em sexta-feira, outubro 18, 2013 ·

padilhaO governo venceu a batalha ideológica contra a direita brasileira pelo programa Mais Médicos, aprovado esta semana pelo Congresso e, bem antes disso, pela maioria da população. Agora, às vésperas dele ser sancionado, nem mesmo a ameaça dos dirigentes das entidades médicas de trabalharem contra a reeleição da presidenta Dilma em 2014 preocupa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Nesta sexta (18), Dia do Médico, ele deu de ombros às polêmicas criadas pelos conselhos de medicina e decidiu prestigiar os profissionais brasileiros que aderiram ao programa. A unidade de saúde escolhida foi o Centro de Saúde Nº3, na cidade-satélite de Samambaia (45 Km do centro de Brasília), que recebeu duas médicas brasileiras e, até o final do mês, contará com mais dois estrangeiros.

Apesar do curto prazo para avaliação, os resultados são estimulantes. O número de atendimentos, que antes eram feitos por apenas um médico de família, dobrou.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal já solicitou recursos ao Ministério da Saúde para ampliar a unidade que, a partir do próximo mês, pela primeira vez na história, cobrirá 100% da população local.

Animado, o ministro diz que, após a presidenta Dilma irá sancionar a lei do Mais Médicos, o próprio Ministério da Saúde passará a conceder o registro aos estrangeiros, o que colocará fim no boicote das entidades médicas e, na avaliação dele, fará o diálogo com os opositores do programa fluir melhor. “Qualquer polêmica se esvazia quando você chega aqui, na unidade de saúde de Samambaia, e constata que, pela primeira vez, ela terá 100% das suas vagas ocupadas por médicos. E que isso só ocorreu por conta do programa Mais Médicos”, afirma.

Confira a entrevista:

Carta Maior: O que foi determinante para o governo ganhar essa batalha ideológica pela aprovação do Programa Mais Médicos?

Alexandre Padilha: O determinante foi mostrar para a população brasileira que o Mais Médicos, em primeiro lugar, dava oportunidade aos profissionais brasileiros e que nós só trouxemos médicos estrangeiros para municípios e unidades em que não temos médicos suficientes no Brasil para atender. Acho que isso ficou claro para a população e, certamente, isso ficou claro também para a maioria dos médicos brasileiros. Eu acho que agora, com a aprovação do Congresso, com regra legal estabelecida, nós vamos começar a execução plena do programa e o diálogo vai caminhar cada vez mais.

CM: Por conta do programa, os dirigentes das entidades médicas brasileiras ameaçam trabalhar contra a reeleição da presidenta Dilma. O senhor acha que essa oposição poderá impactar as eleições de 2014?

AP: Não estou preocupado com isso, mas em levar médicos para a maioria da população brasileira. Não se pode misturar qualquer conotação partidária a um programa destinado a resolver o problema de saúde de milhões de brasileiros. Até porque o Mais Médicos foi solicitado por prefeitos de todos os partidos, inclusive de partidos que são oposição à presidenta Dilma. Há duas semanas, eu estava na cidade de Salvador, que é administrada por um prefeito do DEM, o principal partido de oposição à presidenta Dilma, e fui junto com o prefeito acompanhar uma unidade de saúde criada há nove anos em Salvador e que nunca tinha conseguido preencher todas as suas vagas para médicos e, agora, estas vagas estão preenchidas.

Nós já enfrentamos todo tipo de polêmicas no Mais Médicos, e vamos continuar enfrentando, mas sempre com o propósito de levar mais médicos para a população. Eu penso que qualquer polêmica se esvazia quando você chega aqui, na unidade de saúde de Samambaia, e constata que, pela primeira vez, ela terá 100% das suas vagas ocupadas por médicos, e que isso só ocorreu por conta do programa Mais Médicos.

CM: O senhor defende com muita veemência a importância da presença do médico nas comunidades como caminho para melhorar a saúde pública. Isso tem a ver com a sua experiência no atendimento em aldeias indígenas?

AP: Quando eu saí da cidade de São Paulo, eu estava ligado à Universidade de São Paulo (USP) e nós fomos montar um núcleo da USP no interior da região amazônica brasileira, no interior do Pará, na transamazônica, nas comunidades ribeirinhas do Tapajós. Eu conheço a importância da presença de um médico em uma unidade de saúde, perto da população, da comunidade, em qualquer situação.

Nós vimos isso aqui, em Samambaia, que só tinha uma médica de saúde da família e agora recebeu duas médicas brasileiras do Mais Médicos. A chegada delas dobrou a capacidade de atendimento médico em Samambaia, mas também estimulou o Estado a aprimorar a infraestrutura. Nós já vamos alugar duas casas para ampliar o atendimento, porque vão chegar mais dois médicos e nós precisamos de espaço para a questão administrativa. Estamos fechando o mapa e vamos ter, agora, 100% da população coberta aqui em Samambaia por conta do programa Mais Médicos.

CM: Quando o senhor esteve na Amazônia atendendo comunidades tradicionais que não falam o português, a língua foi uma barreira?

AP: Não foi problema. E não só para mim, mas para os vários médicos que foram comigo. Nós trabalhamos, por exemplo, com a comunidade Zoé, de índios isolados que nunca saíram da sua aldeia e que não tem contato com a língua portuguesa. E nós salvamos vidas. Nós evitamos o extermínio do povo Zoé, que eram mais de 300 indígenas e haviam sido reduzidos para menos de 200. A nossa entrada lá nos permitiu salvar vidas, recuperar a cultura deles. Nós tínhamos, conosco, a presença permanente de lideranças indígenas, de técnicos de saúde, para nos ajudar nesta situação.

CM: No Mais Médicos os estrangeiros também terão apoio permanente?

AP: O Brasil é muito diverso e mesmo o português é falado de formas muito diferentes no nosso país. É por isso que estes médicos não ficam sozinhos. Eles trabalham junto com os agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem que conhecem a língua local e podem ajudar a melhor comunicação entre os profissionais e a população. O importante é o médico querer conversar, querer se comunicar, querer entender, querer examinar. Eu estava conversando com a doutora Fernanda, aqui, e ela falou: ‘olha, eu atendo em media 20 pacientes por dia, por eu gosto de examinar e de conversar com eles’. É disso que precisamos. Se tiver disposição, a comunicação fica muito fácil.

Créditos da foto: Arquivo
cartamaior

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