Na terra de Lula, eleição instiga rixa com Sul e guerra entre pobre e rico

Publicado em quinta-feira, outubro 23, 2014 ·

lula“Enquanto Lula e Dilma ajudaram os nordestinos, o líder do partido do candidato das bandas de Minas Gerais chama os nordestinos de pobres ignorantes. Vamos defender o governo do Bolsa Família, que é a salvação da nossa gente.”

Assim alardeava, na tarde de segunda-feira (21), um dos três carros de som que diariamente circulam em campanha pró-Dilma Rousseff (PT) em Caetés (a 249 km do Recife), terra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

UOL visitou o município de Pernambuco no dia em que foi reaberto o comitê de Dilma na cidade. Por falta de apoiadores, não há comitê ou carros de som do senador Aécio Neves (PSDB) na cidade. Lá, o tucano é apontado como candidato dos ricos e é comparado ao ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL).

No primeiro turno, 84% dos eleitores do município votaram em Dilma e apenas 5,3%, em Aécio. A cidade tem 26,5 mil habitantes e, assim como tantas do interior do Nordeste, depende de transferências sociais do governo federal.

A região Nordeste é foco principal das campanhas de Aécio e Dilma. No primeiro turno, de cada 100 votos dados à petista, 38 vieram do Nordeste. Já para o tucano, de cada 100 votos, 50 vieram do Sudeste.

Pesquisa Datafolha apontou Dilma na frente no Nordeste, mas ela não descuidou da região, com eventos principalmente em Pernambuco, único Estado onde foi derrotada, por Marina Silva (PSB), herdeira do legado de Eduardo Campos no primeiro turno.

 

Pobres x ricos

Para a maioria dos eleitores, a eleição para presidente não se resume a dois projetos de governo, mas, sim, a uma disputa entre pobres e ricos. “Se não fosse Lula e Dilma, a gente ainda estava passando fome aqui. Se Dilma perder, volta tudo de novo”, diz Marcelo Ferreira dos Santos, 31, filho de um primo legítimo de Lula.

A fala do parente de Lula resume o clima eleitoral da cidade, que reproduz com enorme intensidade o discurso de divisão de classes entre os candidatos.

No município, é comum os eleitores compararem Aécio a Collor. Eles relatam que temem o retorno da época de fome e miséria na cidade. “Se ganhar esse aí, não vai fazer nada que preste, não. Ele só dá valor a rico, não dá valor à pobreza. Sempre foram assim”, diz o agricultor José Venâncio da Silva, 56.

No 1º turno, Dilma dominou no Nordeste

Arte/UOLA petista venceu em todos os Estados da região, menos em Pernambuco, onde perdeu para Marina Silva (PSB)

A aposentada Florência dos Santos, 66, chegou a ir à posse de Lula em 2003, em Brasília, e tem um quadro na sala de casa com a foto do ex-presidente ao lado do ex-prefeito de Caetés Zé da Luz. “Tucano só gosta de rico, e nós somos pobres. Ele é todinho a cara de Collor. Não tem como não votar em Dilma aqui. Todo mundo adora Lula aqui. A gente tem medo [da vitória de Aécio], claro, nunca deram valor à pobreza”, completa.

Outra que lembra do ex-presidente é a dona de casa Roseane de Aquino Ferreira, 44. “Votei em Lula e Dilma sempre. Ela trabalhou bem pra cá, ajudou muito quem é da pobreza. Deu empréstimos baratos para o agricultor. Tenho medo de voltar a ser igual à época de Collor, quando ele tomou o dinheiro da gente”, relatou.

“Se fosse votar 50 vezes, votava em Dilma. Aquele é um dos Collor legítimo. Collor destruiu o Brasil, foi Lula que reconstruiu. Ele foi bom demais pra cá. Melhor que Dilma no mundo, só Lula, que ainda voltará a governar esse país, se Deus quiser”, completa o agricultor Jorge Rodrigo de Melo, 62.

Apoiador fervoroso de Dilma, o prefeito Armando Duarte (PTB), diz que Lula influenciou muito no resultado do primeiro turno. “Mas também é preciso reconhecer que o próprio governo Dilma ajudou muito. A presidente foi muito boa com Caetés. Conseguimos em Brasília a construção de três escolas, recebemos 16 ônibus escolares, acabando com o pau de arara. Votar em Dilma aqui é ato de gratidão”, disse.

Diante de tantas expressões a favor de Dilma, é difícil até imaginar algum político na cidade pedindo voto para Aécio. “Passamos um mês andando aqui no primeiro turno e vimos que o sentimento, principalmente nos sítios, é que não votar em Dilma é um pecado. Quem vota contra aqui, politicamente, dá um tiro no pé”, disse Armando Silva, coordenador do comitê de Dilma no município.

 

Carlos Madeiro

 

 

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