Mundo tem 2 bilhões de pessoas em países sem lei contra tráfico humano

Publicado em quinta-feira, dezembro 4, 2014 ·

a cantora Ivete Sangalo ao lado da equipe da ONU que elaborou o relatório sobre tráfico humano (Foto: Raquel Morais/G1)
a cantora Ivete Sangalo ao lado da equipe da ONU que elaborou o relatório sobre tráfico humano (Foto: Raquel Morais/G1)

Pelo menos 2 bilhões de pessoas – quase 30% da população mundial – vivem em países sem a devida proteção legal contra tráfico de pessoas, informou nesta quinta-feira (4) o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O dado faz parte do Relatório Global 2014 sobre tráfico humano, lançado nesta quinta em Brasília.

Se tem uma coisa que aprendemos sobre esse delito é que é preciso um engajamento muito forte da sociedade”
Jorge Chediek, coordenador Residente do Sistema Nações Unidas no Brasil

De acordo com o documento, o número de crianças vítimas do crime cresceu 5% entre 2011 e 2014 em comparação ao período entre 2007 e 2010. Elas representam um terço das vítimas do tráfico de pessoas. O relatório aponta ainda que 70% de todas as vítimas são do sexo feminino.

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A organização afirma que nenhum país está imune à questão: há casos registrados de vítimas de 152 nações, levadas à força para outras 124. O tráfico ocorre principalmente dentro das fronteiras nacionais ou dentro de uma mesma região. Segundo o estudo, o tráfico transcontinental afeta principalmente nações ricas.

Embaixadora da Boa Vontade da campanha Coração Azul, contra o tráfico humano, a cantora Ivete Sangalo disse ser necessário estimular na sociedade a importância de combater a prática. Ela classificou a situação como “crime odioso”.

“Essas pessoas temem por suas vidas e pelas vidas dos seus familiares”, disse. “Uma das maneiras mais eficazes de combater esse crime é pela denúncia. Eu, por meio da minha música e da minha popularidade, sou instrumento dessa divulgação.”

Entre as modalidades em que houve crescimento nos últimos cinco anos está o tráfico para trabalhos forçados – incluindo os setores industrial e da construção, a produção têxtil e atividades domésticas, que teve aumento de oito pontos percentuais em relação a 2007 – de 32% das ocorrências para 40%. As mulheres são 35% das vítimas desses casos.

O crime encontra, no entanto, variações nos continentes. Enquanto na Europa e na Ásia Central o tráfico ocorre, na maioria dos casos, para exploração sexual, na Ásia Oriental e no Pacífico a motivação mais frequente é o trabalho forçado. Na América, há um equilíbrio entre ambos os tipos.

O relatório aponta ainda alta taxa de impunidade: 40% dos países relatou apenas algumas ou nenhuma condenação, e ao longo dos últimos anos não houve “aumento perceptível” na resposta ao crime, segundo a ONU.

A cantora Ivete Sangalo ao lado da equipe da ONU que elaborou o relatório sobre tráfico humano (Foto: Raquel Morais/G1)A cantora Ivete Sangalo ao lado da equipe da ONU que elaborou o relatório sobre tráfico humano (Foto: Raquel Morais/G1)

Coordenador Residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek afirmou ser necessário que todos os setores se mobilizem para diminuir o tráfico de pessoas. “Se tem uma coisa que aprendemos sobre esse delito é que é preciso um engajamento muito forte da sociedade.”

Realidade brasileira
Dados do UNODC mostram que, com o crescimento econômico, o Brasil passou a ser também um país de destino de pessoas traficadas. Em geral, as vítimas estão em vulnerabilidade social, econômica e cultural. Entre 2010 e 2012, 41 pessoas foram indiciadas pelo crime. No mesmo período, 97 foram processadas e 33 condenadas.

Ivete Sangalo afirmou ser positivo ter havido punição. “Eu acho que isso é uma vitória, apesar de nos deprimir, porque existe esse crime, há pessoas que praticam esse crime, mas eu acho que é o começo de uma nova postura”, disse. “É tão subterrâneo, é um submundo tão desgraçado.”

No período de 2005 a 2012, a Polícia Federal registrou 222 ocorrências de tráfico de pessoas – incluindo o nacional e o internacional. Já a Divisão de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores identificou, nos mesmos sete anos, 483 vítimas do crime para exploração sexual e de trabalho.

G1

 

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