Movimentos não precisam ser o mesmo para sempre, diz ativista indiana

Publicado em sábado, março 30, 2013 ·

indianaO mundo mudou desde quando o Fórum Social Mundial (FSM) surgiu, em 2001, como contraponto à globalização econômica ditada principalmente pelos Estados Unidos, Europa e Japão. Mais de uma década atrás, o G-8 (grupo das oito nações mais ricas do mundo) reinava mais absoluto e o processo de expansão dos mercados estava quase que completamente nas mãos de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

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Na visão de alguns dos ativistas, pesquisadores e intelectuais que têm participado e acompanhado o processo do FSM, a mudança de contexto coloca desafios aos próprios movimentos e organizações sociais. “Movimentos sociais podem também se transformar, por exemplo, em partido político. Não precisam ser os mesmos para sempre. Esse tipo de ideia parece não fazer parte do nosso quadro de pensamento”, sublinha a indiana Meena Menon, associada à organização Focus on the Global South.

Como uma espécie de exemplo, a indiana cita o caso do sindicato de trabalhadoras e trabalhadores da indústria têxtil de Mumbai, na Índia, que, diante do desmonte das fábricas em pequenas unidades de produção “caseiras”,acabou se “convertendo” em movimento social, incorporando inclusive novas agendas como a do direito à moradia.

“Por que manter sempre uma postura defensiva? Toda vez que o Estado faz algo que consideramos ‘errado’, nós gritamos, gritamos e gritamos. Não há mal nenhum em ter sonhos e defendê-los. Mas chamo a atenção para que pensemos, sempre que possível, no que faríamos efetivamente se estivéssemos no poder”, completa Meena.

No contexto específico do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), há análises que apontam que a ampliação das “classes médias”, movidas pelo consumo, também tem resultado em um maior distanciamento entre as mesmas e os movimentos sociais.

Diferença entre “emergentes”
À frente do Fórum Mundial das Alternativas – rede internacional de centros de pesquisa e intelectuais militantes -, o economista egípcio Samir Amin assinala que a luta de classes com vistas à “desconstrução do sistema imperial” precisa ser entendida pelos movimentos sociais de forma complexa, levando-se em conta o papel do Estado.

No cenário corrente marcado pela hegemonia neoliberal que chamou de “fascismo financeiro”, ele faz uma diferenciação entre aquilo que chama de “mercados emergentes”(Brasil e Índia) e de “sociedade emergente” (China). Nos “mercados emergentes”,opina o egípcio, predomina a expansão dos mercados.

Já na “sociedade emergente”da China que importa tecnologias e exporta manufaturas, a interação com os mercados se ajusta a um projeto de soberania. Tal condição se sustenta, de acordo com o economista, em dois fatores: a sustentação do regime de terras públicas, com participação dos comitês das vilas, e a manutenção de uma atuação diferenciada no mercado internacional de ações e no trato com a globalização financeira haja vista a questão do valor da moeda chinesa (yuan).

 

 

 

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