Ministra Ideli Salvatti compara aliados rebeldes a opositores de Obama

Publicado em sexta-feira, agosto 12, 2011 ·

IdeliFabioPozze3Num instante em que o condomínio governista condiciona o apoio ao Planalto à liberação de verbas e cargos, a ministra Ideli Salvatti serve aos aliados reprimendas e cobranças.

Em conversa com o repórter Gerson Camarotti, a coordenadora política de Dilma Rousseff foi instada a comentar a “greve” que paralisou a Câmara nesta semana.

Comparou os aliados sublevados aos parlamemtares republicanos, rivais do presidente Barack Obama no Congresso dos EUA:

“Com a gravidade da crise econômica internacional, não se pode admitir que o Congresso ouse e tente fazer no Brasil o que o Congresso americano fez diante da crise nos Estados Unidos. Temos que ter responsabilidade…”

“O objetivo é blindar o Brasil. Todas as questões têm importância, mas, neste momento, a prioridade é proteger o emprego e a renda, os interesses do povo brasileiro…”

“…Não podemos gastar energia com outras questões. Os líderes e partidos aliados precisam entender isso.”

A reprovação ao comportamento dos republicanos na votação do projeto que elevou o teto de endividamento dos EUA já havia sido feita por Dilma.

Citou o caso americano em reunião na qual pediu aos presidentes e líderes de legendas aliadas que se abstenham de criar gastos e apoiem as medidas anticrise.

Nos lábios de Dilma, a compração já havia sido recebida pelos aliados como imprópria. Na boca de Ideli, é improvável que soe adequada.

Perguntou-se à ministra o que pode ser feito para convencer os governistas brasileiros de que o figurino de oposicionista americano não lhes cai bem.

Ao responder, Ideli insinuou que os inssurretos arriscam-se a comprar briga com a opinião púclica.

Ouça-se a ministra: “Todos temos que ter responsabilidade com o momento…”

“…A própria opinião pública tem entendimento de que, nesta crise econômica, não é adequado o Congresso ficar paralisado…”

“…As pessoas não vão aceitar esse comportamento. Querer piorar a condição fiscal é inadmissível.”

E quanto à liberação das emendas dos congressistas? “Não vou mais aguardar consenso para empenhar R$ 1 bilhão em emendas, já garantido pela Fazenda…”

“…Vou começar imediatamente a empenhar o que tenho, até para diminuir a insatisfação…”

“…Não vamos desconsiderar pleitos legítimos das emendas e da disputa por espaço no governo [cargos]…”

“…Mas nada pode atrapalhar o foco principal, a blindagem do Brasil frente à crise.”

Recordou-se a Ideli que os apoiadores do governo exigem a apresentação de um calendário de liberações. Ela se defendeu em timbre de ataque:

“Nas negociações, a base escolheu a opção mais difícil: a prorrogação dos restos a pagar [emendas de anos anteriores] de obras não iniciadas…”

“…A presidente resistia. Consegui prorrogar o decreto, mas, pelo acordo, novos empenhos só sairiam em setembro…”

“…Mesmo assim, o ministro Guido Mantega me autorizou R$ 1 bilhão para empenho. Mas eles [parlamentares] não aceitaram. Agora, fazem paralisação de votações!”

Acha que as denúncias em série adensam a atmosfera de reataliação? “Se está sendo difícil para o PR e o PMDB, também está sendo difícil para os demais partidos…”

“…Foi difícil quando o [Antonio] Palocci caiu. Mas o comportamento da presidente Dilma é o mesmo:…”

“…Os ministros têm todo o apoio e são os responsáveis pelas providências e explicações. Foi assim com o Palocci…”

“…Com o Alfredo [Nascimento, ex-Transportes], com o [Wagner] Rossi [Agricultura], o [Mário] Negromonte [Cidades] e o [Pedro] Novais [Turismo].”

Quem ouve Ideli pode concordar ou discordar dela. Mas, num ponto, a ministra inspira uma avaliação muito próxima do consenso:

Para quem precisa lidar com tantos fios desemcapados, parece faltar à caixa de ferramentas de Ideli o essencial: fita isolante.

Josias de Souza

Foto: Fábio Pozzebom/ABr

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