Ministério da Saúde restringe exame para mulheres acima de 50 anos

Publicado em domingo, outubro 9, 2016 ·

mamaNo lançamento da campanha nacional do Outubro Rosa, o Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer divulgaram uma pesquisa que revela que em 66,2% dos casos de câncer de mama, foram as próprias pacientes que detectaram o tumor. Para médicos, esse índice é reflexo da falha no rastreamento da doença, que se agrava com a recomendação de que a mamografia deve ser feita a partir dos 50 anos, 10 a mais do que o preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. O prognóstico dos especialistas é que essa medida dificultará ainda mais o diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura.

Ieda Nóbrega foi uma das mulheres que descobriu o câncer de mama no autoexame. Com o tratamento, conseguiu vencer a doença e conta sua história feliz há 15 anos. “Descobri através do toque. Na hora não me assustei, porque a gente já ouvia tanto falar nisso. Quando fui à mastologista, e o resultado da biópsia deu positivo para carcinoma ductal in situ, meu mundo desabou. Decidi fazer logo a mastectomia e fiz apenas quatro sessões de quimioterapia. Tinha um casal de filhos, o mais novo é especial. Pensava logo que eu estava sentenciada à morte e quem cuidaria dele? O apoio da família é fundamental porque pude encarar o tratamento com resignação e fé. Não fui a primeira e nem a última. Não havia casos na família e fazia mamografia anualmente, de um ano para outro, a surpresa. Por estar no início, me curei. Fazia avaliação trimestral, depois semestral e agora anual”, narrou a funcionária pública aposentada.

A pesquisa. O estudo, realizado pelo Instituto Avon e o Núcleo de Pesquisa Epidemiológica da Divisão Populacional do Inca, mostrou que dois terços das mulheres identificaram a doença, em estágios inicial e intermediário também, quando a chance de cura é maior. Para o Ministério da Saúde, o resultado indica que é possível detectar o tumor no início e procurar ajuda médica.

MS explica

“O Ministério da Saúde segue a orientação da Organização Mundial de Saúde e estudos que comprovam maior incidência da doença e eficiência do exame entre os 50 e 59 anos. As mamografias no país cresceram 37%, no comparativo entre os primeiros semestres de 2010 e 2016, passando de 1,6 milhão para 2,2 milhões. Na faixa etária de 50 a 69 anos (prioritária), o aumento foi maior no período (64%), saindo de 854 mil para 1,4 milhão de mamografias”.

Consenso médico

A mastologista Joana Barros refutou a recomendação do Ministério da Saúde para realização da mamografia a cada dois anos, a partir dos 50 anos, que não é suficiente e vai piorar as estatísticas letais. “É uma orientação política e econômica. A incidência começa a aumentar a partir dos 40 anos e existe um consenso da Sociedade Brasileira de Mastologia para que seja feito anualmente nesta faixa etária. O MS contraria a Lei Federal 11.664/2008, que garante esse direito. A repercussão é ruim, sobretudo para a população feminina”, declarou. Para Joana, o diagnóstico em mulheres mais jovens continuará sendo realizado na rede privada. No entanto, as mulheres que dependem da rede pública serão prejudicadas, pois, abaixo dos 50 anos só com recomendação médica e na atenção básica o profissional não estaria tão atento. “Tem médico com falta de preparo, que pede antes dos 40 ou só depois dos 50. O MS libera abaixo de 50 quando a lesão já está perceptível e já vai com operação. O importante é que seja feita a mamografia de rastreio, quando ainda não há sintomas. No setor público o acesso é negado, o diagnóstico é tardio, elas próprias descobrem a doença, o que torna a cura limitada ou anulada”, disse Joana.

“A vida é dividida antes e depois do câncer. Eu mudei para melhor. É uma segunda chance de vida. A gente aprende muita coisa quando participa de um processo desse. Enxergar coisas que antes não via, se valorizar mais. É possível retomar a vida e mais alguma coisa qe antes não fazíamos. Há pressa de viver, mais sede de vida. Passei a sair mais, dançar, me distrair, ir à praia”, Ieda Nóbrega, aposentada.

 

Bruna Vieira do Correio da Paraíba com assessoria

 

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