Milhares de egípcios voltam a protestar contra o governo militar no Cairo e Alexandria

Publicado em sábado, novembro 19, 2011 ·

praca-tahir5Nesta sexta-feira (18), centenas de milhares de egípcios tomaram as ruas do Cairo e de Alexandria, as duas maiores cidades do país, para um novo mega protesto contra o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF, na sigla em inglês), a junta militar que governa o país desde fevereiro, quando o ditador Hosni Mubarak foi derrubado. O protesto foi convocado pela Irmandade Muçulmana e conta com o apoio firme de partidos salafistas (tendência religiosa ultrafundamentalista). Algumas siglas liberais e esquerdistas também foram às ruas, mas muitos grupos seculares preferiam boicotar a manifestação.

O protesto, classificado de “Sexta-feira da Demanda Única”, tem o objetivo de exigir que o SCAF desista de tornar oficial um documento supra constitucional determinando que as Forças Armadas sejam classificadas como garantidoras da “legitimidade constitucional” no Egito. O documento é visto por críticos como uma estratégia dos militares para reforçar o governo ditatorial que instalaram diante das exigências cada vez mais amplas da sociedade de que o poder seja transferido para um governo civil mais rapidamente – a eleição presidencial só deve ocorrer em 2013.

A crise política é fruto da incompetência política dos militares. Quando surgiram os primeiros rumores de que este documento seria criado, políticos liberais, como Mohamed El Baradei (ex-chefe da Agência Internacional de Energia Nuclear), eram a favor dele. Isto porque o documento teria como objetivo determinar que o Egito seria obrigatoriamente um Estado civil. Os grupos religiosos – a Irmandade Muçulamana e, principalmente, os salafistas – se opuseram ao documento, protestaram, mas não tinham força para, sozinhos, tornar o tema um assunto nacional. Foi aí que o SCAF errou feio. Além de determinar que o Estado egípcio seja civil, o novo documento inclui itens para garantir as regalias que os militares desfrutavam com Mubarak no poder e não querem perder.

Com esta tática, o SCAF conseguiu unir, pelo menos nesta sexta-feira, os partidos religiosos às siglas seculares. Na prática, ao colar a demanda do Estado civil aos privilégios dos militares, os generais jogaram o Egito em um dicotomia que não tem nada de saudável, como explica o analista Issandr El Amrani no jornal Al Masry Al Youm:

Revista Época

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