Médicos de todo o País podem ficar até 15 dias sem atender planos de saúde

Publicado em terça-feira, outubro 2, 2012 ·

Os médicos de todo o País podem ficar até 15 dias sem atender planos de saúde. As três principais entidades médicas do Brasil, AMB (Associação Médica Brasileira), Fenam (Federação Nacional dos Médicos) e CFM (Conselho Federal de Medicina) enviaram, nesta terça-feira (2), um comunicado ao Ministério Público Federal informando sobre o “protesto organizado pelos médicos contra as empresas que operam no setor da saúde suplementar”.

De acordo com o documento, o início do protesto está previsto para ocorrer entre os dias 10 e 25 de outubro, sendo que , “com base em decisões tomadas em assembleias locais, a categoria pode suspender, por tempo determinado, consultas e outros procedimentos eletivos”.

O documento, assinado pelos presidentes das três entidades, afirma que os médicos “têm, sucessivamente, apontado situações que desrespeitam pacientes e profissionais em seus direitos”.

 O ofício destaca ainda alguns números sobre o setor. Segundo o documento, no Brasil, o mercado de planos de saúde cresce cerca de 5% ao ano, o que garante grande faturamento às operadoras (cuja receita em 2011 foi de R$ 82,4 bilhões), sem suficiente contrapartida em termos de valorização do trabalho médico e na oferta de cobertura às demandas dos pacientes.

Além disso, nos últimos 12 anos, “os reajustes dos planos teriam somado 150% (30 pontos percentuais acima da inflação acumulada no período – 120%). No mesmo período, os honorários médicos não atingiram reajustes de 50%. Da receita de R$ 82,4 bilhões, de acordo com a ANS, foram aplicados na assistência médica R$ 67,9 bilhões, o que sugere um margem de lucro abusiva”.

Reivindicações

Além de reajuste nos honorários, os médicos pedem “o fim da interferência antiética das operadoras na relação médico-paciente”. Também reivindicam a inserção, nos contratos, de índices e periodicidade de reajustes – por meio da negociação coletiva pelas entidades médicas – e a fixação de outros critérios de contratualização.

Em nota divulgada pela ABM, os líderes do movimento afirmaram que os pacientes não serão prejudicados com a mobilização dos médicos. As consultas serão remarcadas posteriormente e não haverá paralisação nos atendimentos de casos de emergência.

R7

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