Marcelinho Paraíba dá nova entrevista e se diz vítima de armação

Publicado em segunda-feira, dezembro 12, 2011 ·

Marcelinho Paraíba acredita ter sido vítima de uma armação e disse que vai processar delegado (Foto: Karoline Zilah/G1)
Marcelinho Paraíba acredita ter sido vítima de uma armação e disse que vai processar delegado (Foto: Karoline Zilah/G1)

“Sou completamente inocente”, disse o jogador Marcelinho Paraíba em sua segunda entrevista desde a prisão ocorrida em 30 de novembro em Campina Grande, por suspeita de estupro. O atleta se manifestou pela primeira vez sobre o assunto no Recife, um dia depois da prisão, a pedido da diretoria do Sport. Apesar de considerar o assunto “uma página virada” em sua vida, ele resolveu conceder uma segunda entrevista coletiva, desta vez em sua terra natal, Campina Grande, motivado por pedidos da imprensa local e dos fãs.

Marcelinho foi indiciado por estupro, por supostamente ter agredido e tentado beijar uma mulher à força durante uma festa. Assim como declarou no Recife, o atleta reafirmou que suspeita ter sofrido uma denúncia caluniosa, porém não informou os possíveis motivos ou interesses do delegado Rodrigo Pinheiro e da advogada, que seria sua irmã de ‘criação’ e disse ter sofrido o abuso. “Acredito que tenha sido vítima de armação dele e dessa menina que ele fala que é irmã. Ele já tinha ido ao meu sítio umas três ou quatro vezes, mas nunca houve nada de errado. Não sei explicar qual é o motivo. Às vezes pode ser inveja ou para aparecer na mídia”, disse.

Dizendo-se prejudicado, ele confirmou que pretende entrar com uma ação contra os dois denunciantes. “Com certeza, até porque a situação ficou ruim para mim. Sou uma pessoa conhecida no futebol nacional. Isso foi muito ruim para minha imagem. Quero aproveitar para pedir desculpas às crianças e ao povo brasileiro, porque ser citado em casos como esses não é um bom exemplo”, disse.

Ao lado do jogador, o advogado Afonso Vilar comentou o resultado do laudo da Unidade de Medicina Legal (UML). Conforme a delegada Herta França, que investiga o caso, o exame de corpo de delito aponta cortes nos lábios e na cavidade bucal da denunciante, além de marcas de agressões no couro cabeludo. Porém, o advogado descartou que Marcelinho tenha sido o agressor e levantou suspeitas de que os cortes tenha sido provocados pela própria mulher.

“A parte que me interessa no laudo foi muito conclusiva em dizer que havia uma pequena lesão interna no lábio dela, o que não atesta que ela tenha tomado uma mordida no lábio. Pode ser uma auto lesão. Não há qualquer conclusão que houve violência sexual, que foi a acusação feita a Marcelo”, explicou.

Segundo ele, o inquérito ainda está em fase de investigação e ainda não foi entregue ao Ministério Público Estadual, que decidirá se pede a abertura de um proceso contra Marcelinho.

Com relação à participação do delegado Rodrigo Pinheiro na festa, o atleta disse ter estranhado as acusações, uma vez que ele teria frequentado seu sítio anteriormente. “Não aconteceu nada. Dei uma festa e o delegado chegou ao sítio sem ser convidado. Só fiquei sabendo que ela era irmã dele depois do fato. Estava todo mundo junto e por volta das 4h ele saiu. Meia hora ou quarenta minutos depois ele voltou dando voz de prisão. Eu só soube do que estava sendo acusado quando cheguei à delegacia”, comentou o jogador.

O delegado foi asfastado de suas atividades na 5ª Delegacia Distrial de Campina Grande depois de discutir com jornalistas que faziam a cobertura da prisão de Marcelinho. Ele também foi indiciado por suspeita de ter disparado um tiro durante o tumulto no evento.

“Ao contrário do que ele disse, eu não estava armado. Quando ele foi me prender, chegou com muitos policiais. Se tinha alguém armado lá, por que ele não prendeu? Houve disparo, mas acredito que tenha sido por parte dele ou de algum policial”, disse.

A mulher que denunciou Marcelinho Paraíba foi procurada pelo G1, mas não quis comentar o assunto. Já o advogado Bruno Cadé falou em nome de Rodrigo Pinheiro no dia 2 de dezembro. Ele pediu desculpas à imprensa pelas agressões verbais proferidas pelo cliente. “Ele se exaltou por um momento de emoção. Se ele tiver ofendido a imprensa como um todo, ele não fez de forma dolosa. É uma pessoa muito sensata, muito tranquila. Isso não é natural da parte dele”, disse o advogado.

marcelinho paraíba (Foto: Reprodução/TV Paraíba)Após denúncia, jogador chegou a ser preso e levado
para um presídio em Campina Grande
(Foto: Reprodução/TV Paraíba)

Entenda o caso

O jogador Marcelo dos Santos, de 36 anos, foi preso em flagrante com dois amigos na madrugada de 30 de novembro em Campina Grande. De acordo com o delegado Fernando Zoccola, ele foi indiciado por estupro, desacato à autoridade e resistência à prisão. O atleta do Sport Club foi denunciado por supostamente ter forçado um beijo e agredido uma advogada que frequentava uma festa em sua granja, em comemoração à ascenção do time à Série A do Campeonato Brasileiro.

Como o crime de estupro é inafiançável, o jogador prestou depoimento e foi encaminhado para carceragens da 2ª Superintendência da Polícia Civil e do Complexo Penitenciário do Serrotão, sendo libertado 12 horas depois. Ao conceder o alvará de soltura, o juiz Paulo Sandro de Lacerda, da 5ª Vara Criminal de Campina Grande, justificou que Marcelinho possui residência e emprego fixos e não representa riscos à sociedade. Os dois amigos do atleta foram indiciados por desacato e resistência à prisão e liberados mediante pagamento de fiança no valor de R$ 1 mil, cada um.

Esta não é a primeira vez que Marcelinho Paraíba se envolve em polêmicas. Em janeiro de 2010, ele foi condenado a seis meses de prisão em regime semi-aberto, acusado de agredir um homem em uma casa de shows de Campina Grande, em junho de 2004. Tal como agora, o atleta estava em sua cidade natal, comemorando o final da temporada esportiva – na época, ele jogava no futebol europeu, cujo calendário termina no meio do ano.

Dois anos antes, em 2002, houve a primeira confusão grave: Marcelinho foi detido aparentemente bêbado, dirigindo em alta velocidade, na Alemanha. Depois, já como atacante do Wolfsburg, também no país europeu, ele foi acusado de se envolver em uma briga numa boate de Berlim, em que teria quebrado uma garrafa de cerveja no rosto de um cliente.

G1 PB

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