Lula diz que ascensão dos pobres incomoda elite brasileira

Publicado em quarta-feira, outubro 30, 2013 ·

ANTONIO CRUZ / ABR
ANTONIO CRUZ / ABR

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta (30), durante solenidade em comemoração aos dez anos do Bolsa Família, em Brasília, que a ascensão econômica e social dos mais pobres incomoda a elite brasileira.

“Sei que incomoda muita gente este programa, porque os pobres estão evoluindo em Pernambuco, na Bahia, em Sergipe…. estão usando uns maiôs que só parte da sociedade usava. Agora a empregada chega para trabalhar usando o mesmo perfume que a patroa, o jardineiro usa o mesmo carro que o patrão, quando chega no aeroporto está tudo abarrotado de gente. É duro…”, ironizou Lula.

A cerimônia contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff e e diversos ministros, além de parlamentares, outras autoridades e grupos de beneficiados do Bolsa Família vindos de várias regiões do país.

Segundo Lula,  em um país com um histórico marcado pela exclusão social era de se esperar “dúvidas e prejulgamentos” em relação a programas sociais.

O ex-presidente começou seu discurso relembrando das muitas críticas que jornalistas, especialistas e parlamentares fizeram e  ainda fazem ao programa.

“Um programa que já atende a quase 14 milhões de famílias é tratado por alguns hipócritas como se fosse uma corrupção ou fraude sem o menor respeito. Chegaram a dizer que era bolsa-esmola, que formava mendigos, que era uma tragédia social, fácil de entrar mas difícil de sair. Gostaria que hoje estes críticos assistissem a apresentação feita pela ministra Tereza Campello”, afirmou.

Para ele, nenhum outro programa na história do país teve o impacto do Bolsa Família. “Vivíamos em um país para ricos e para a classe média, enquanto o resto vivia em uma não-pátria, desconhecia seus direitos e sua humanidade. O programa integrou ao Brasil as pessoas marginalizadas do processo econômico, mas apartadas principalmente dos processos sociais.”

Lula voltou a comparar os investimentos sociais aos gastos com as guerras promovidas pelos Estados Unidos no mundo.

“Hoje sabemos que, além das perdas humanas, a guerra do Iraque consumiu US$ 3 trilhões. Com esse dinheiro seria possível a implantação de programas de transferência de renda para 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo”, assegurou.

 

RBA

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