Lula defende Constituinte para reforma política: ‘Congresso não irá votá-la’

Publicado em quarta-feira, Março 27, 2013 ·

"Só não pode continuar do jeito que está", disse o ex-presidente (Foto:Heinrich Aikawa/Instituto Lula)
“Só não pode continuar do jeito que está”, disse o ex-presidente (Foto:Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nessa terça (26) em São Paulo que, caso o Congresso não consiga votar uma reforma política, o sistema eleitoral e partidário do país deveria ser modificado por uma Constituinte. O petista afirmou ainda que o Brasil necessita urgentemente implementar o financiamento público de campanhas e transformar o financiamento privado em crime inafiançável. Caso contrário, continua, não haverá moralização na política.

“Acho que se, o Congresso não votar uma reforma política, teríamos de chamar uma Constituinte apenas pra fazê-la. Só não pode continuar do jeito que está”, afirmou, defendendo a importância de que os partidos brasileiros sejam fortes e representantivos. “Não podemos mais ter legenda de aluguel, só pra disputar eleição, vender horário eleitoral ou fazer negociata no Congresso. Como o próprio nome diz, os partidos têm que representar uma parte da sociedade.”

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Lula participou do seminário “Novos Desafios da Sociedade”, realizado pelo jornal Valor Econômico na zona sul de São Paulo. Na ocasião, ele lembrou que, quando exerceu a Presidência, enviou algumas propostas de reforma política para o Congresso – que nunca foram votadas. Algumas permanecem na pauta do Legislativo, mas, para o petista, a situação atual continua desfavorável. “Não acredito que votem porque as pessoas que estão lá querem continuar no status quo que existe hoje.”

Em diálogo com o ex-premiê da Espanha Felipe González que também participou do evento, Lula avaliou que a Europa vive um momento de crise de representatividade dos partidos políticos em relação à sociedade. “Houve uma perda de referência em relação às demandas das pessoas”, disse, em referência indireta aos pacotes de austeridade aplicados pelos governo apesar da intensa oposição social e dos prejuízos trazidos à população. “No Brasil, felizmente, temos avançado nesse sentido.”

Nesse sentido, Lula advertiu que é preciso estar alerta com os candidatos que se arvoram no combate à corrupção e utilizam princípios morais como eixo de suas campanhas. “Cuidado, porque eles podem ser piores dos que estão acusando.” O petista reconheceu que, desde a eleição de Fernando Collor, repleta de problemas, os sucessivos resultados das urnas representaram um avanço para a democracia do país.

“Acho que a eleição do Fernando Henrique Cardoso foi um avanço para a democracia do país. Em 1985, a elite paulista não votou nele pra prefeitura porque achava que ele era comunista”, resgatou. “Depois veio minha eleição, e foi um passo importante. Houve uma alternância dos setores sociais que governam o país. E agora consagramos com a vitória da Dilma Rousseff. Muitos especialistas jamais imaginavam que o Brasil estivesse preparado para eleger uma mulher presidenta.”

Lula vislumbra uma América do Sul repleta de governantes do sexo feminino. “Se Deus quiser, a Michelle Bachelet voltará à Presidência do Chile e então teremos também Dilma, Cristina Kirchner, e no Peru se insinua a candidatura da esposa do presidente Ollanta Humala”, citou. “Logo teremos uma maioria de mulheres governando a região e será importante como experiência política.”

 

 

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