Jovem fica paraplégico em acidente no segundo dia de trabalho

Publicado em segunda-feira, agosto 12, 2013 ·

77422b0254e28c51bc1fdf205bd6fd277642b710Em Piracicaba, cidade vizinha a Limeira, o Globo Repórter conheceu Ramon, de 19 anos. Ele começou a trabalhar aos 14 e fez de tudo um pouco até arrumar serviço na construção civil. Aos 17 achou que tinha encontrado a oportunidade do futuro, mas o sonho acabou já no segundo dia, em um acidente enquanto ele descarregava o caminhão.

“O motorista distraído foi e puxou a corda das portas, e no que ele puxou, as portas caíram sobre mim, e me jogou para trás. Aí, eu fiquei lá no chão, caído, com as porta em cima. Fiquei um mês na UTI e um mês no quarto do hospital”, conta Ramon Ambrósio, de 19 anos.

Ramón está paraplégico e precisa de ajuda para tudo. A família ganhou na Justiça o direito a uma indenização. A empresa está pagando em prestações, mas o valor não chega nem perto da maior necessidade da família: uma casa com espaço suficiente para os móveis especiais que Ramón vai precisar para o resto da vida.

“O meu advogado ligou para o advogado da empresa. Ele falou assim: ‘Fale para a sua cliente parar de encher o saco lá na empresa’. Meu advogado disse para ele: ‘É porque você não tem um filho na cama igual ela tem. Um filho tão jovem, parado em cima de uma cama’”, lamenta Risiomar Gonçalves, empregada doméstica.

Ramón faz parte de uma estatística que começou a ser analisada há três anos, em Piracicaba. As ocorrências registradas no pronto-socorro e nos hospitais revelaram o que costuma ficar escondido nos prontuários: a quantidade de acidentes de trabalho com crianças e adolescentes.

“Só no ano passado, em 2012, tivemos 112 acidentes com menores de 18 anos, casos graves de tetraplegia, queimaduras, fraturas, amputações. Esses acidentes acontecem porque as empresas não têm política de gestão de segurança. Às vezes elas reduzem o custo, acabam contratando esse tipo de mão-de-obra, que é mais barata para ela”, afirma Marcos Hister, técnico do Centro de Saúde do Trabalhador de Piracicaba, SP.

Sem registro em carteira, até um pequeno acidente de trabalho pode virar um pesadelo. Que dirá um acidente como o de Ramón. Agora, ele quer fazer direito e se especializar em Justiça do Trabalho.

 

Fonte: G1

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