Gravidez na adolescência afasta meninas dos estudos

Publicado em segunda-feira, maio 9, 2011 ·

gravideznaadolescenciaSegundo o Ministério da Saúde meninas entre 15 e 19 anos deram à luz a 1 milhão de bebês no ano passado. Muitos fatores são considerados como causas: sexualidade precoce dessas meninas , passando pela estrutura familiar, formação psicológica até a falta de orientação sexual.
A gravidez pode causar muitas reações e refletir de forma negativa na vida de uma jovem. As principais conseqüências é a falta de oportunidades que deixará de ter, interrupção dos estudos e afastamento de convívio social.
Foi que aconteceu com Sara Carolina de Lima, 15 anos, que está grávida de 8 meses e teve que interromper os estudos quando estava cursando o ensino fundamental. “Quando estava de três meses, parei de estudar. Fiquei com muita vergonha e por isso faz tempo que eu não vejo minhas amigas”, diz. Para Fabiana Alves, 17 anos, grávida de 6 meses, que estava cursando o ensino médio também foi muito difícil. “Estava estudando para o vestibular e tive que interromper meus estudos. Sinto muita falta da escola”, lamenta.Ambas as jovens mães disseram que pretendem retornar os estudos após dar a luz. “Sei que vai ser difícil, mas tenho que recomeçar. Quero garantir o meu futuro e para isso preciso dos meus estudos”,explica Fabiana.Uma vez constatada a gravidez, se a família da adolescente for capaz de acolher o novo fato com respeito e colaboração, esta gravidez tem maior probabilidade de ser levada a termo normalmente. Para Sara sua família foi compreensiva e a ajudou muito. “Pensei que ia morrer. Não queria contar de jeito nenhum , mas minha mãe e meu pai  me apoiaram. Não sei como seria sem o apoio de todos eles”, confessa.
Porém, havendo rejeição e incompreensão, a adolescente poderá sentir-se profundamente só nesta experiência difícil e desconhecida, poderá correr o risco de procurar abortar, ou mesmo sair de casa.Fabiana Alves até pensou em aborto,mas decidiu por fim ter a criança. “No início queria muito fazer uma aborto, mas depois que minha mãe descobriu e disse que iria me ajudar ,e resolvi ter,e não me arrependo da minha decisão”, confessa. Segundo Francy de Carvalho ,enfermeira do posto de saúde do Bairro das Industrias, o bem-estar afetivo da adolescente grávida é muito importante para a futura mamãe, para o desenvolvimento da gravidez e para a vida do bebê. “A adolescente grávida, principalmente a solteira e não planejada, precisa encarar sua gravidez a partir do valor da vida que nela habita, precisa sentir segurança”, esclarece, para segundo a enfermeira ajudar nos altos e baixos emocionais, comuns na gravidez, até o nascimento de seu bebê.
E como ficam os pais das crianças nessa situação? Sara de Lima diz que o pai da criança a ajuda e eles estão morando juntos, em sua casa e completa que o sustento do bebê vai vim de parte dele e uma parte de sua família.
“Depois que contei para ele que estava grávida, decidimos morar juntos, como ele trabalha,vai dar para dividir os custos”, finaliza. Já o pai do futuro Felipe, filho de Fabiana, prefere manter-se distanciado, morando em casas separadas, porém colaborando com as despesas. “Somos muitos novos para pensar em casar,espero que quando Felipe nasça ele me ajude na criação, mas por enquanto é cada um em sua casa”, conclui Fabiana.



Livro gera polêmica sobre o tema
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das mães adolescentes em grandes cidades acabam por receber atendimento pré-natal, porém um grande número de partos (na faixa de 20%) são considerados como de alto risco, pelo fato do corpo das adolescentes não se encontrar adequadamente preparado para a maternidade.
Mas, em geral ,os bebês se encontram, ao nascer (em sua maioria) dentro da faixa de normalidade de peso e estatura, sendo o nascimento ocorrido a termo.
Repercussões
Para Francy de Carvalho muitas vezes, a dificuldade de contar o fato para a família ou até mesmo constatar a gravidez faz com que as adolescentes iniciem tardiamente o pré-natal – o que segundo a enfermeira possibilita a ocorrência de complicações e aumento do risco de terem bebês prematuros e de baixo peso. Além disso, não é raro acontecer, em seqüência, uma segunda gravidez indesejada na jovem mãe. Daí a importância adicional do pré-natal como fonte segura de orientação.



Nas telas
Claro que uma assunto tão difícil e polêmico não poderia ficar de fora das telonas, um dos mais comentados, é o filme Juno, indicado ao Oscar em 4 categorias,apresenta uma situação diferenciada pois mostra com naturalidade uma jovem de 16 anos (Ellen Page), que engravida de um colega de escola numa primeira e única relação, e assume toda responsabilidade e decisões sobre o que fazer, ainda que tenha pensado em aborto- desiste logo, e resolve que aquela criança terá um lar adotivo.Outro enfoque nada  tradicional é do livro lançado mês passado  na Inglaterra, “Maternidade na adolescência – qual o problema? “O livro questiona a tendência das autoridades de tratar a gravidez adolescente pela ótica de um esteriótipo social,o autores encaram a gravidez precoce com uma oportunidade de jovens mães se esforçarem a fim de prover uma vida melhor para seus filhos.


 

Correio da Paraíba
Com Camila Bitencourt
Focando a Notícia

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