G20 dirá em documento final que crise ainda não foi superada

Publicado em sexta-feira, setembro 6, 2013 ·

g20O G20 dirá em seu comunicado que a economia global está melhorando e que ainda é cedo demais para dizer que superou a crise, antecipou à “Reuters” nesta sexta-feira (6) uma autoridade russa.

O QUE É E QUEM FAZ PARTE DO G20

O G20 foi criado em 1999, após crises financeiras na Ásia, na Rússia e na América Latina. Reúne os países ricos do G7 -EUA, Japão e Alemanha, entre eles- mas também países emergentes, como Brasil, China e Índia
África do Sul Alemanha Arábia Saudita Argentina
Austrália Brasil Canadá China
Coreia EUA França Índia
Indonésia Itália Japão México
Reino Unido Rússia Turquia União Europeia

Líderes do G20 –que reúne economias desenvolvidas e emergentes que representam 90% da economia mundial e dois terços de sua população– devem manter essencialmente o conteúdo divulgado por ministros das Finanças em julho.

O comunicado de então exigia que mudanças à política monetária têm que ser “cuidadosamente calibradas e claramente comunicadas.”

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Novos elementos vão se referir a uma iniciativa de crescimento proposta pela Austrália, que assume a presidência do G20 no próximo ano, uma proposta alemã de endurecer a regulação do chamado “sistema bancário sem regulação” e a ampliação do prazo para o controle do protecionismo comercial.

“Em comparação com o início da presidência russa, definitivamente houve uma mudança na avaliação, e isso está refletido no comunicado dos líderes”, disse Andrei Bokarev, chefe do departamento de Relações Internacionais do Ministério das Finanças.

“Mas definitivamente é cedo demais para dizer que a crise foi superada e que será fácil a partir de agora.”

Potências emergentes e desenvolvidas do G20 tiveram dificuldades para encontrar um ponto comum em relação aos problemas provocados pela perspectiva de o Estados Unidos reduzirem seu estímulo. Ainda assim, conseguiram produzir um documento “equilibrado”, disse Bokarev.

O G20, que se uniu em resposta à crise global de 2009, agora enfrenta uma economia dos EUA que avança, com os países em desenvolvimento enfrentando problemas devido à perspectiva de redução do estímulo monetário pelo Federal Reserve.

Cúpula do G20 na Rússia – 8 vídeos

O debate sobre a saúde da economia mundial, presidido pelo presidente russo Vladimir Putin na quinta-feira, foi difícil e refletiu as preocupações sobre a desaceleração do crescimento no mundo em desenvolvimento.

O grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) anunciou a criação de um fundo com US$ 100 bilhões para manter as economias emergentes aquecidas. Outro objetivo é estabilizar os mercados cambiais, que têm se mostrado instáveis desde que surgiram rumores de que os EUA podem reduzir seu programa de estímulo econômico –o que reduziria a quantidade de dólares em circulação no mundo.

Do total, o Brasil contribuirá com US$ 18 bilhões, mesma quantia de Índia e Rússia. A China, detentora da maior reserva cambial do mundo, contribuirá com US$ 41 bilhões. A África do Sul terá a menor participação, de US$ 5 bilhões.

Fim do estímulo nos EUA preocupa investidores no mundo todo

Nos últimos meses, os investidores estão preocupados com a recuperação da economia dos Estados Unidos. Com os sinais de que o país está superando a crise, o banco central do país, o Federal Reserve (Fed), começou a avaliar uma redução em seu programa de estímulos.

Atualmente, o Fed injeta US$ 85 bilhões nos mercados, em um programa conhecido como QE3. Sem essa enxurrada de dólares e com juros mais altos nos EUA, os investidores tendem a preferir opções consideradas mais seguras, e tirar recursos de países emergentes.

Dólares baratos que alimentaram um boom no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul na última década diminuíram desde que o Fed alertou, em maio, sobre a redução do esquema de compra de títulos dos EUA.


 uol

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