França: tripulação do AF 447 estava em conformidade com regras

Publicado em sexta-feira, Maio 27, 2011 ·

caixa-pretaO órgão responsável pelas investigações do acidente com o voo AF 447 na França, o BEA, publicou nesta sexta-feira um comunicado sobre as primeiras constatações obtidas pelo estudo das gravações contidas nas caixas-pretas da aeronave. Segundo o escritório francês, a composição da tripulação estava em conformidade com os procedimentos do operador e os dois copilotos estavam na cabine. O comandante de bordo voltou para a cabine cerca de 1 minuto e meio após a retirada do piloto automático.

A partir das 2h10min de 1º de junho de 2009, o piloto automático e em seguida a autoimplusão foram desativados. O alarme de perda de comendo disparou duas vezes. Houve uma inconsistência entre a velocidade indicada no lado esquerdo e a indicada no instrumento de resgate (ISIS), que durou pouco menos de um minuto. Os procedimentos de emergência foram feitos de acordo com as normas.

Os últimos valores registrados são: atitude de 16,2 graus de elevação do nariz, rolagem de 5,3 graus na esquerda e velocidade vertical de -10.912 pés/min.

Expectativas
Inicialmente, o BEA não previa informar antes de junho os resultados das caixas-prestas resgatadas do oceano, mas os constantes vazamentos à imprensa e a pressão dos envolvidos, a Airbus, fabricante do avião acidentado, e Air France, proprietário da aeronave, impulsionaram o adiantamento da divulgação dos dados.

“Não entendo nada”, disse um dos pilotos segundos antes do avião colidir contra a superfície marinha. Ao longo das duas últimas horas de voo, o período que ficou gravado nas caixas-pretas do avião, a tripulação ficou diante de uma série de erros consecutivos, de acordo com informações preliminares.

As três sondas de velocidade do aparelho foram afetadas pelo gelo e privaram os computadores do A330 de uma informação real, o que provocou a desativação do piloto automático. O comandante não estava na cabine nesse momento, mas dirigiu-se à mesma e começou a dar instruções aos subordinados. Nesse momento, o avião estava em queda livre em posição horizontal.

O BEA havia advertido que seu relatório de hoje não traria conclusões sobre os responsáveis do acidente, limitando-se a dar informações. O escritório está submetido a diversas pressões, as últimas procedentes das famílias das vítimas, que escreveram para o primeiro-ministro francês, François Fillon, para queixar-se dos vazamentos. Airbus e Air France estão interessadas em saber as conclusões sobre a investigação o mais rápido possível.

Segundo o BEA, no comunicado divulgado hoje, “só depois de um trabalho longo e minucioso de investigação é que as causas do acidente serão determinadas e as recomendações de segurança serão emitidas”. Elas constarão do relatório final, disse o órgão.

O acidente do AF 447
O voo AF 447 da Air France saiu do Rio de Janeiro com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio de 2009, às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy – Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília). Às 22h33 (horário de Brasília) o voo fez o último contato via rádio. A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). Depois disso, não houve mais qualquer tipo de contato e o avião desapareceu em meio ao oceano.

Os primeiros fragmentos dos destroços foram encontrados cerca de uma semana depois pelas equipes de busca do País. Naquela ocasião, foram resgatados apenas 50 corpos, sendo 20 deles de brasileiros. As caixas-pretas da aeronave só foram achadas em maio de 2011, em uma nova fase de buscas coordenada pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA) da França, que localizou a 3,9 mil m no fundo do mar a maior parte da fuselagem do Airbus e corpos de passageiros em quantidade não informada.

Dados preliminares das investigações feitas pela França mostraram que falhas dos sensores de velocidade da aeronave, conhecidos como sondas Pitot, parecem ter fornecido leituras inconsistentes e podem ter interrompido outros sistemas do avião. As sondas permitem ao piloto controlar a velocidade da aeronave, um elemento crucial para o equilíbrio do voo. Mas investigadores deixaram claro que esse seria apenas um elemento entre outros envolvidos na tragédia. Em julho de 2009, a fabricante anunciou que recomendou às companhias aéreas que trocassem pelo menos dois dos três sensores – até então feitos pela francesa Thales – por equipamentos fabricados pela americana Goodrich. Na época da troca, a Thales não quis se manifestar.

Com informações da agência EFE.

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