Fifa comemora audiência no Mundial. Entenda os direitos de transmissão da Copa 2014

Publicado em quinta-feira, julho 3, 2014 ·

FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL CC-BY 3.0
FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL CC-BY 3.0

A fonte oficial aponta que a Copa quebrou recordes de audiência pelo planeta e a popularidade do futebol superou vários índices pontuais de 2014 para eventos esportivos. As marcas mais altas da história para mundiais são quase todas da Copa de 2010, e ainda não foram batidas. Até a final, tem chão – ou melhor, tem tela e controle remoto.

Na Bélgica, por exemplo, verificou-se a maior audiência já registrada nas áreas que falam francês (há territórios que têm no flamengo seu idioma). Nos Estados Unidos, houve o maior pico da história para o futebol masculino, que superou em espectadores a final da NBA.

No Brasil, na partida de abertura do Mundial entre a seleção canarinho e a Croácia, a audiência da TV Globo bateu 42,9 milhões de telespectadores, a maior de 2014 para eventos esportivos. Viram o massacre da Holanda sobre a Espanha 7,2 milhões de telespectadores. Desde 2012 não se verificava tanto holandês sentado em frente à telinha.

A Fifa não comenta a audiência no rádio nem na internet. No Brasil, por exemplo, segundo o Ibope, 21% dizem ouvir com o radinho na orelha enquanto os olhos veem a tela da TV. Vai ver é culpa do Galvão Bueno.

Na web, os jogos transmitidos no site do GloboEsporte dizem ter, em tempo real, mais de 50 mil acessos simultâneos. O bicho pega mais à tarde, por causa do “pessoal da firma” que, no escritório, precisa dar seus pulos para seguir os jogos. Detalhe: pelo mesmo levantamento, em São Paulo e no Rio de Janeiro, são 31% os que assistem TV conectados na web.

Mas como funciona o licenciamento da transmissão da Fifa?

Os recordes de audiência citam 18 emissoras das 160 credenciadas para transmitir jogos pela TV. Há ainda milhares de rádios pelo planeta. Desde que limitado ao território em que atua, quem detém direitos de TV pode transmitir em vídeo na internet; as rádios podem levar seus áudios ao ar na web, com as mesmas restrições. Há ainda os que se credenciam apenas para a rede de computadores.

Há duas categorias de veículos de mídia, os credenciados e os licenciados. Os primeiros são parceiros prioritários da Fifa, a empresa ou organização com quem a federação se relaciona. No Brasil, é a Globo. A TV e a rádio do grupo de comunicação montaram estruturas para mediar a relação com o segundo segmento.

As licenciadas negociam com as credenciadas os direitos. Apesar de seguir os mesmos termos e restrições, as emissoras pagam para a emissora principal, que atenua seu investimento, divide um pouquinho da audiência, sem perder tanta captação de recursos. TV Bandeirantes é um exemplo.

As imagens, os caracteres, os efeitos e o corte no switch são operados por uma empresa parceira da Fifa, a HBS (Host Broadcast Services), subsidiária da Infront Sports & Media. A companhia fez as últimas três edições do mundial.

Estima-se que 60% da receita da Fifa com a Copa venha dos direitos de transmissão. Isso quer dizer US$ 4 bilhões.

Todos os direitos de veiculação são limitados a territórios nacionais. Isso quer dizer que, independentemente da plataforma tecnológica usada para transmitir jogos, o conteúdo não pode ir além das fronteiras. Se para os transmissores do broadcast isso mais ou menos se resolve pela operação padrão das emissoras (exceto parabólicas, que exigem malabarismos), na internet entram recursos de restrições geográficas, a partir de dados como o endereço de IP de acesso, além de ferramentas de gerenciamento de direitos digitais (DRM, na sigla em inglês).

Uma multinacional, como a ESPN, leva vantagem de poder oferecer a imagem com qualquer áudio em qualquer território no qual detenha direitos. Fez isso em seus aplicativos de celular e tablet. Possivelmente tenha pago a mais por isso.

O contrato em si é daqueles leoninos, até onde se sabe. A versão em português é resumida do original (e a que vale é a em inglês). Nele, a Fifa fica resguardada e a emissora pode sambar apenas em seu quadrado. Na execução do trabalho, as emissoras descrevem até alguma flexibilidade ou vista grossa de quem não consegue controlar todos os movimentos de tantas retransmissoras.

Ser credenciada ou licenciada permite usar a marca e identidade visual da Fifa. Na TV, pode passar replay de gols e VT de jogos. No rádio, pode reexibir a locução de qualquer lance, e por aí vai. Há ainda um número maior de credenciais de imprensa para a equipe. Além de acesso ao centro de mídia (IBC, na sigla em inglês), localizado neste ano no Riocentro, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Os pacotes de licenciamento têm preços variados que dão direito a condições proporcionalmente mais arrojadas. No pacote mínimo há as imagens para exibição do jogo, um conjunto de imagens a partir de 40 minutos antes de cada jogo, contagem regressiva e a vinheta de abertura, o intervalo e cobertura de 20 minutos do pós-jogo. Quanto mais se pagar, mais recursos, como imagens captadas diretamente pela emissora ao vivo do estádio, câmeras exclusivas, imagens da chegada dos times, dos aquecimentos etc.

Gasta-se dinheiro, mas também arrecada-se, com anúncios antes e durante o Mundial. Para ser tão disputado (são 25 empresas só no Brasil), é por que vale a pena.

E quem não compra os direitos de transmitir a Copa?

As empresas ou organizações de mídia que não adquirem direitos de transmissão do Mundial dependem das credenciadas para tudo. Para obter credenciais de imprensa para suas equipes, para receber imagens dos gols (em geral, 2 minutos e 42 segundos por jogo que só podem ser usados até 48 horas após a partida) e, claro, para assistir, como toda a população.

 

 

Deu no site da Fifa.

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