Famílias dizem que jovens mortos na PB foram assassinados por policiais

Publicado em quarta-feira, outubro 22, 2014 ·

jovemAs famílias de dois jovens mortos na noite da terça-feira (21), em Campina Grande, acreditam que Tiago Diniz Santos, de 26 anos e Daniel Sousa Batista, de 19, foram assassinados por policiais militares. De acordo com os familiares, as vítimas não tinham inimigos, mas um deles chegou a ser apreendido quando era adolescente e era ameaçado frequentemente por policiais.

Tiago trabalhava como frentista na feira, Daniel era borracheiro e os dois moravam na mesma casa, no bairro do Araxá. Familiares disseram que viram os dois pela última vez por volta das 17h da terça (21). Segundo a mãe de Tiago, Elza Ferreira Diniz, apesar de trabalhar, a dupla estaria se preparando para realizar um assalto. “Quando o rapaz veio me avisar que meu filho tinha sido baleado eu perguntei: ‘você avisou à mulher dele?’, ele disse que não, então fui na casa dela para avisar e perguntei pelo meu filho. Ela falou que ele havia saido com o genro para realizar um assalto, foi quando contei que recebi a notícia que eles haviam sido pegos”, disse Elza em entrevista à TV Paraíba.

Acredito que foram eles [os policiais], porque [testemunhas] viram a polícia com eles no chão”
Familiar de uma das vítimas de homicídio, que preferiu não se identificar

O comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar de Campina Grande, coronel Lívio Delgado, conversou com a TV Paraíba e explicou que a PM vai acompanhar a investigação do caso pela Polícia Civil. “Tomamos conhecimento que uma pessoa tinha sido baleada e, ao chegar no local, encontramos o Tiago. A família foi até a delegacia perguntando se a PM havia prendido o Daniel. Constatamos que ele não havia sido preso e só às 2h encontramos o corpo”, informou.

“Ninguém sabe dizer o que aconteceu e os policiais do plantão explicaram que não houve prisão naquela noite. Iremos investigar o caso também, o histórico das vítimas não era um dos melhores e estamos acompanhando o caso. Acredito que não foram policiais que fizeram isso, mas o caso será investigado pela Polícia Civil e a PM também acompanhará para tentar descobrirmos o que de fato aconteceu”, acrescentou Lívio Delgado.

O primeiro registro de homicídio foi o de Tiago, por volta das 20h. Ele foi encontrado em uma pista no bairro de Bodocongó, vestindo apenas uma cueca e com marcas de tiro nas costas. O jovem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o Hospital de Emergência e Trauma do município, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada desta quarta (22). Poucas horas depois da morte de Tiago, moradores de uma rua no mesmo bairro encontraram o corpo de Daniel com marcas de tiro no pescoço, próximo ao local onde Tiago foi encontrado.

Segundo os moradores da rua, os dois teriam sido levados para o matagal onde Daniel foi encontrado, mas ninguém relatou ter ouvido tiros nem gritos. Um dos moradores contou que acredita que Tiago estava vivo quando foi deixado no local e conseguiu se arrastar pelo matagal até a rua abaixo de uma encosta, onde pediu socorro, e que Daniel já estava sem vida quando foi deixado lá.

Um familiar de uma das vítimas, que não quis se identificar, contou que Daniel já havia sido apreendido e que recebia ameaças de um policial. “Acredito que foram eles [os policiais], porque [testemunhas] viram a polícia com eles no chão. Quando ele era adolescente, foi apreendido, passou um dia na cadeia. O policial que prendeu e deu uma surra nele, de vez em quando, passava na borracharia que Daniel trabalhava, olhava pra ele e apontava com o dedo,” disse o homem.

 

Do G1 PB

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