Estado inaugura Centro LGBT para promover respeito às diferenças e

Publicado em quinta-feira, Maio 26, 2011 ·

espaço+lg..A missão do Centro de Referência dos Direitos LGBT e Combate à
Homofobia, inaugurado na noite de quarta-feira (25), na Praça Dom
Adauto, em João Pessoa, será promover a aproximação e o respeito
entre as diferenças. O Centro foi entregue pelo governador Ricardo
Coutinho, que também assinou o decreto que possibilita o uso do nome
social de travestis e transexuais.

O Centro constitui-se numa parceria das Secretarias de Estado da Mulher
e da Diversidade Humana e do Desenvolvimento Humano, e da Secretaria de
Direitos Humanos da Presidência da República.

No âmbito do Programa Garantia e Acesso a Direitos, o Centro LGBT e
Combate à Homofobia é um local destinado a lésbicas, gays, travestis,
transexuais e intersex que tiverem os direitos violados e que forem
vítimas de discriminação, preconceito e intolerância pela
orientação sexual e identidade de gênero.

“O Espaço LGBT é um lugar de promoção da cidadania, de defesa dos
direitos humanos e de combate à homofobia e à discriminação por
orientação sexual e identidade de gênero. É também um espaço de
convivência do público, com atividades culturais, literárias, de
capacitação e de lazer”, afirmam os idealizadores do órgão. Ali,
segundo acrescentam, será oferecido atendimento e orientação
psicossocial e jurídica, e também promovidos seminários, cursos de
capacitação e ações itinerantes de promoção dos direitos de LGBT.

Com uma equipe formada por Adeneuse Targino de Araújo e Gel Laverna
(agentes de direitos humanos), Gleidson Marques Silva (psicólogo),
Renildo Lúcio de Moraes (assistente social) e Soraya Chaves de Sousa
Alves (advogada), o espaço vai trabalhar no sentido de articular uma
rede de proteção e garantia dos direitos de LGBT.

Além disso, vai criar uma biblioteca com o objetivo de disponibilizar
um acervo bibliográfico destinado a subsidiar estudos e pesquisas na
sua área de conhecimento. A previsão é que o Centro de Referência
LBGT seja aberto ao público a partir do mês de junho.

RESPEITO À PESSOA HUMANA – “Nós estamos efetivamente criando um
centro para garantir que as pessoas que tenham suas opções sexuais
diferenciadas sejam plenamente respeitadas, porque isso não é favor de
ninguém, mas uma obrigação de qualquer pessoa que viva neste mundo
grande que está aí”, afirmou o governador Ricardo Coutinho durante
pronunciamento na Praça Dom Adauto.

Ele disse acreditar que chegará o momento em que cada ato de
desrespeito à pessoa humana será profundamente repudiado por todos. E
acrescentou: “Precisamos criar estratégias onde a mentalidade possa
ser modificada nas ruas, nas escolas, nos espaços públicos, nos
serviços públicos”.

Lembrando que iniciativa semelhante à criação do Centro LGBT ocorreu
há aproximadamente três anos, quando exercia o cargo de prefeito de
João Pessoa, Ricardo afirmou: “Esse Governo tem disposição, coragem
e postura para poder enfrentar e combater todo tipo de preconceito e
discriminação. E vamos levar esse Estado a um processo de democracia,
de respeito ao próximo, muito mais profundo do que esse que a gente
vivencia hoje”.

NORDESTE – De acordo com dados da Delegacia Especializada contra Crimes
Homofóbicos de João Pessoa, de janeiro a maio deste ano foram
registradas 13 mortes LGBT. O Nordeste é a região mais homofóbica do
Brasil. A Paraíba está na quarta colocação em números de
assassinatos de homossexuais, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB). A
intolerância e o preconceito produzem reações como violência,
discriminação, humilhação, exclusão social, depressão e suicídio
entre gays, lésbicas, travestis e transexuais.

Para o gerente Operacional de Promoção da Cidadania LGBT, Luciel
Araújo, a implantação do Centro de Referência LGBT é mais um
avanço: “As expectativas são as melhores possíveis. A gente vai se
surpreender positivamente com a aceitação da população paraibana,
sobretudo da comunidade LGBT”, ressalta.

Otimista, também, com a implantação do Centro de Referência está o
operador de micro, Alecsandro Braz. Ele diz que já foi vítima de
preconceito até da própria família. “A gente terá mais acesso aos
nossos direitos, através de advogados, psicólogos, e o que é melhor,
gratuitamente. O que não existia”.

Adneuse Targino também, sofreu discriminação. Ela, que é uma das
coordenadoras do Grupo de Mulheres Lésbicas Maria Quitéria, revela que
a discriminação é ainda maior quando a identificação de
orientação sexual é assumida.

Para a coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março, Irene Marinheiro,
a inauguração do Centro de Referência LGBT é uma vitória para o
movimento: “A gente parabeniza a sensibilidade do Governo do Estado em
implantar este espaço fundamental. Essa temática passa por todos os
governos e movimentos”, destaca.

Ascom para o Focando a Notícia

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