Dilma sobre o Mais Médicos: ‘Governo que não ouve a reclamação do povo não é bom’

Publicado em quinta-feira, agosto 29, 2013 ·

ROBERTO STUCKERT FILHO/PLANALTO
ROBERTO STUCKERT FILHO/PLANALTO

A presidenta Dilma Rousseff fez nessa quinta (29) em Campinas, no interior paulista, a primeira defesa do Mais Médicos em um evento público desde que começaram as críticas à vinda de profissionais cubanos. Sob ataques de entidades de classe, que acionaram o Judiciário para derrubar a iniciativa, o programa federal vem sendo defendido publicamente pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

“É visível, há uma reclamação do povo. E o governo que não escuta a reclamação do povo não é um bom governo”, afirmou, em cerimônia de formatura de alunos do Pronatec com os beneficiários do Plano Brasil Sem Miséria. “As pessoas querem um atendimento médico mais humano”, disse. Mais cedo, no início da tarde, ela participou de outro evento na mesma cidade, em inauguração de empreendimento do Minha Casa, Minha Vida.

Dilma explicou que o governo federal “abriu chamada” para contratar médicos formados no Brasil, mas não teve êxito, e por isso adotou a solução de importar médicos do exterior. Segundo ela, o total de médicos pedidos pelos municípios brasileiros carentes de atendimento é de 15 mil profissionais. “Fizemos um programa de chamamento dos médicos para preencher onde não há médicos suficientes. Não conseguimos, pelo contrário. Agora estamos preenchendo, sim, com médicos vindos de outros lugares.”

A presidenta ilustrou a defesa do Mais Médicos com números. Afirmou que são 700 os municípios no país onde não reside nenhum médico. Ela citou as periferias das grandes regiões metropolitanas, o semiárido nordestino e a Amazônia como localidades onde há grande carência no atendimento à população.

“Temos 1,8 médico por mil habitantes no geral. Tem gente que tem muitos médicos e outras não têm nenhum”, disse Dilma. “Vamos primeiro atacar o grosso: levar médico aonde não tem.” Na Argentina, são 3,2 médicos a cada mil habitantes, e no Uruguai o índice é de 3,7.

Há um mês, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, então presidente em exercício da corte, negou o pedido de liminar da Associação Médica Brasileira (AMB) contra o programa Mais Médicos também citando esses e outros dados, como o da Espanha, onde são 4 médicos por mil habitantes. Ontem foi o ministro Marco Aurélio Mello quem recusou ação parecida.

Em sua fala em Campinas, Dilma lembrou que o número de profissionais nos Estados Unidos que são oriundos do exterior chega a 25%. Na Inglaterra, de cada 100 médicos, 37 são formados no exterior. Na Austrália são 22%. No Canadá, 17%. No Brasil, o índice é dez vezes menor que o canadense: apenas 1,7% dos médicos vêm de fora do país.

Ela já havia defendido o Mais Médicos em outras oportunidades. Ontem, em entrevista a emissoras de rádio de Minas Gerais, declarou sobre as críticas à chegada dos médicos: “É um grande preconceito contra os cubanos. O que não é correto é supor que em algum país há um bloqueio à vinda de profissionais especializados para ajudar o país”. No dia 13 de agosto, em Itapira, interior de São Paulo, afirmou que “sem médicos não há saúde de qualidade” e que o programa “tem o desafio urgente de eliminar os vazios assistenciais do Brasil”.

Dilma disse ainda que o próximo passo do governo federal é investir na abertura de 11 mil vagas de graduação e 12 mil de residência. “Vamos usar todas as formas para melhorar o atendimento”, prometeu.

Orçamento

O governo prevê para a pasta da Saúde a maior fatia do orçamento em 2014. Serão R$ 80,65 bilhões. Devido ao Programa Mais Médicos, entre outros projetos do Ministério da Saúde, o orçamento receberá um incremento de R$ 3,97 bilhões no ano que vem, na comparação com a previsão orçamentária de 2013, que foi R$ 76,67 bilhões.

As informações constam do projeto de Lei Orçamentária de 2014, divulgado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

 

por Eduardo Maretti, da RBA

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