Dez anos depois, população pobre do País permanece refém de programas de renda

Publicado em domingo, Janeiro 13, 2013 ·

Implantados há uma década, os planos de combate à miséria dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff têm registrado sucesso em dois aspectos: a ampliação dos benefícios de transferência de renda à maioria das famílias mais necessitadas, garantindo alívio imediato, e a melhoria de indicadores sociais. Eles patinam, porém, quando se trata de aumentar as oportunidades de inclusão no mercado de trabalho.

Uma das cidades que simbolizam essas políticas, Guaribas, no interior do Piauí, espelha tal realidade, conforme constatou a reportagem do Estado. Foi ali que, em fevereiro de 2003, logo após a posse do presidente Lula, o então ministro do Combate à Fome, José Graziano, formalizou o lançamento do Programa Fome Zero, proposta de campanha de Lula que prometia erradicar a fome no País a partir de uma série de ações coordenadas. A escolha para o lançamento era precisa. Tratava-se da mais miserável das cidades do Piauí, o Estado mais pobre do Brasil.[bb]

Gastos sociais viabilizam crescimento, diz governo

No Ministério do Desenvolvimento Social, o titular da Secretaria Extraordinária para a Superação da Extrema Pobreza, Tiago Falcão, diz que qualquer resultado na área dos programas sociais do governo deve ser analisado de maneira global, com a combinação de diversas variantes. “Os gastos sociais acabam viabilizando o crescimento econômico. Guaribas tem um taxa de crescimento maior do que a do Piauí, o Estado que mais cresceu no País nos últimos anos”, afirma.

Os municípios mais beneficiados pelo Bolsa Família são os que mais registram elevações no nível de trabalho formal, segundo o secretário. Ele discorda da tese de que os Estados mais ricos acabaram sendo mais beneficiados pelo impacto do fortalecimento do salário mínimo: “Essa avaliação é reducionista, não leva em conta o movimento mais amplo. A verdade é que houve uma queda na desigualdade entre as regiões mais ricas e as mais pobres”.

Fome se vai, mas perspectiva não chega

Guaribas vive do passado. Não de glórias esquecidas, mas de promessas pela metade, feitas quando, no dia 3 de fevereiro de 2003, um grupo de ministros do então governo Lula desembarcou na cidade planejando resolver a vida daquela gente que apenas sobrevivia. Dez anos depois, o que sobrou do programa Fome Zero na cidade que foi o seu símbolo são as centenas de famílias que saíram da miséria absoluta para a pobreza sustentada pelo Bolsa Família ou pelas aposentadorias rurais. O tempo das visitas de ministros e governadores passou e a população castigada pela seca retomou seu caminho: a estrada para São Paulo para melhorar de vida. Não há quem não diga que a cidade não melhorou de 2003 para cá. Hoje há água encanada. Quatro ruas ganharam calçamento. A praça tem bancos de cimento. Há agências do Banco do Brasil, dos Correios e do Banco do Nordeste. Há uma unidade de saúde básica, com quatro enfermeiros, mas sem médico. Há mais escolas, inclusive de ensino médio. A miséria, porém, não deixou o local. Na cidade, a maior renda é a dos aposentados, que ganham mais do que os beneficiários do Bolsa Família. Há gente que tenta de todas as formas arrumar um atestado médico para se aposentar antes da hora. Quem não consegue pede ajuda aos velhinhos da família. Dona Wilsa Maria, 78 anos, ajuda a sustentar 16 pessoas na sua casa. “Como vou ver meus filhos passando necessidade?”, pergunta.

Cidade foi 1ª a receber Cartão Alimentação

No dia 3 de fevereiro de 2003, o então ministro do Combate à Fome, José Graziano, desceu de um helicóptero em Guaribas e, acompanhado de outros quatro colegas de governo, discursou: “Quero voltar aqui em quatro ano se dizer que vocês não precisam mais do cartão porque a fome acabou”.O prazo se esgotou, Graziano hoje é o diretor-geral do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura – eleito em grande parte pelo seu trabalho no ministério– mas a miséria ainda é a marca principal de Guaribas. Então a mais miserável das cidades do Piauí, o Estado mais pobre do País, Guaribas foi escolhida, junto com a mais esquecida ainda Acauã (PI) para ter os primeiros 50 beneficiários do programa Cartão Alimentação, depois substituído pelo Bolsa Família. Sem água, sem luz, sem calçamento nem esgoto, a cidade era o retrato do Brasil miserável que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria combater.

Fonte: Estadão

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