jogos de azar

Debate sobre legalização de apostas gera racha na base do governo

Publicado em quarta-feira, novembro 24, 2021 ·

Aliados do governo federal divergem sobre proposta que autoriza pleno funcionamento dos jogos de azar no país, além da instituição dos cassinos em hotéis e resorts

A intensificação do debate sobre a legalização das apostas esportivas e dos jogos de azar no país tem gerado divergências na base aliada do governo federal no Congresso Nacional. Apesar do avanço de sites e plataformas como casasdeapostas360.com.br, parte da classe política, especialmente a bancada evangélica, tem tido posicionamento contrário aos avanços da proposta na Casa.

A mobilização aconteceu a partir de setembro, quando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criou um grupo de trabalho para debater e atualiza o Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, que toma como base o projeto de lei PL-442/91, que tramita há 30 anos na Casa. O texto atualizado será votado pelo plenário.

O grupo de parlamentares à frente das discussões é liderado pelos deputados Bacelar (PSD-BA) e Felipe Carreras (PSB-PE). Além deles, o grupo é composto por outros defensores da legalização dos jogos de azar, como Marx Beltrão (PSD-AL), ex-ministro do Turismo, que defendia essa pauta internamente no governo Michel Temer; Newton Cardoso (MDB-MG), Herculano Passos (MDB-SP), Augusto Coutinho (Solidariedade-PE) e Otávio Leite (PSDB-RJ).

A proposta em discussão na Câmara prevê uma melhor regulamentação das quase 500 plataformas que atuam no Brasil oferecendo apostas online em esportes que acontecem ao redor do mundo. Juntos, esses sites movimentaram cerca de R$ 12 bilhões no ano passado, segundo dados da H2 Gambling Capital, consultoria especializada no mercado de apostas.

Além disso, os deputados querem viabilizar a entrada de cassinos no Brasil, para a construção dos chamados “resorts integrados”. São hotéis luxuosos, que possuem a capacidade para ter uma infraestrutura com máquinas e jogos encontrados nos cassinos, como blackjack, pôquer, caça níqueis, roleta, entre outros. A inspiração, é claro, vem do que já existe em locais como Las Vegas, Macau e Punta del Este.

A bancada evangélica, no entanto, não está satisfeita com o avanço dessa proposta. Além da Câmara, ministros que representam esse setor também já manifestaram repulsa ao tema. É o caso da ministra Damares Alves, ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos. Ela já criticou a medida, em um embate com o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

Além de Guedes, outro que está a favor da proposta é o atual ministro do Turismo, Gilson Machado. Ele acredita que a liberação das apostas vai ter um impacto positivo no turismo brasileiro, com a vinda de mais estrangeiros. Isso vai gerar empregos e aumentar o investimento externo na economia nacional.

Mas nenhum desses argumentos parece convencer os membros da bancada evangélica. O coordenador da bancada, deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), já ensaia um posicionamento oficial da frente, que reúne 120 deputados e 14 senadores.

Segundo uma reportagem do jornal Metrópoles, os evangélicos já apontam que este será um ponto de divergência com a base aliada do governo, por se tratar um uma assunto caro às igrejas e que, segundo seus líderes, interfere diretamente nas famílias e nos “vícios”.

“É uma pauta que vem sendo discutida há muitos anos na Câmara, e não acredito que obtenha sucesso. Além disso, é um assunto que só cria confusão, e isso é tudo que não precisamos neste momento. Tem tanta coisa importante para a gente discutir”, reagiu o deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP), uma das lideranças evangélicas.

A proibição para os jogos de azar  foi estabelecida no Brasil em abril de 1946, por meio do decreto-lei 9.215, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. A ideia agora, com o grupo de trabalho, é tentar votar uma regulamentação para o jogo até o fim deste ano.

 

 

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS











ARTICULISTAS
Ramalho Leite
Karlos Thotta
Padre Bosco







Focando a Notícia -
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br