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Dançarino é premiado em festival na Alemanha com coreografia inspirada na própria vida: ‘Não queria virar estatística’

Publicado em quarta-feira, Maio 19, 2021 ·

O dançarino paraibano Geovan da Conceição conquistou o 2º lugar no 25º Internationales Solo-Tanz-Theater Festival Stuttgart, na Alemanha. Ele foi premiado com a coreografia “Fissurar”, inspirada em sua história de vida e na realidade difícil de muitos jovens brasileiros.

O paraibano conta que encontrou na dança uma solução para mudar de vida. “Tentei achar uma solução na qual, primeiramente, eu pudesse ter uma mudança de vida, constituir minha própria família. Não queria ser só mais um, nem virar estatística”.

Por causa da pandemia, a apresentação de Geovan no festival foi realizada de forma on-line. Ele foi o único brasileiro a participar do evento, um dos maiores festivais de solos contemporâneos do mundo. O júri avaliou a apresentação como “visceral”.

Geovan estudou no Teatro Bolshoi no Brasil e hoje é professor de dança — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Geovan estudou no Teatro Bolshoi no Brasil e hoje é professor de dança — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Infância difícil

Antes de entrar no universo da dança, Geovan, que é professor e chefe da Divisão de Dança da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), teve um passado com muitas dificuldades.

Na infância, era morador da comunidade do Citex, em João Pessoa, onde presenciou situações de violência e abuso de bebidas e drogas. Ele também chegou a viver alguns meses no abrigo Morada do Betinho, também localizado na capital paraibana.

“Vi homicídios, vi violência, vi muita coisa ruim, inclusive meus familiares se perdendo por causa de drogas e alcoolismo”, afirmou.

Geovan foi resgatado de uma situação de vulnerabilidade social por meio da dança — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Geovan foi resgatado de uma situação de vulnerabilidade social por meio da dança — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Aos 8 anos, Geovan, que participava de projetos sociais da prefeitura, teve a oportunidade de conhecer o balé e se apaixonou. “Foi amor à primeira vista”, disse ele.

Aos 10 anos, foi selecionado para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, localizada em Joinville, Santa Catarina, e considerada uma das mais renomadas do mundo, onde permaneceu até os 19 anos.

Já na fase adulta, ele participou de uma reportagem sobre ex-alunos da Escola Bolshoi, que foi exibida em vários países, inclusive na Alemanha. O diretor do Festival Sttugart assistiu à matéria e entrou em contato com Geovan, convidando-o a participar da competição.

Geovan foi convidado pelo diretor do Festival Sttugart para participar da competição — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Geovan foi convidado pelo diretor do Festival Sttugart para participar da competição — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Preparação para o festival

O nome “Fissurar” vem de abrir brechas com relação à diversidade. Geovan relata que, como a inspiração para a sua coreografia foram situações reais que ele viveu, o processo de preparação foi difícil.

“Não foi algo fictício. A minha mensagem era algo que realmente vivi, então foi muito dolorido ter que remexer em feridas no passado”.

Sobre ser o único brasileiro na competição, ele afirma que sentiu uma grande responsabilidade, especialmente com as pessoas que depositaram confiança na sua vitória.

Agora, a sensação é de gratidão por ter ficado em segundo lugar em um dos festivais de dança mais importantes do mundo. “Sou muito grato porque isso abre portas para a construção do meu currículo e do artista que quero ser”.

Geovan acredita que a arte e educação podem transformar a vida de outras crianças e adolescentes brasileiras — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Geovan acredita que a arte e educação podem transformar a vida de outras crianças e adolescentes brasileiras — Foto: Geovan da Conceição/Arquivo Pessoal

Importância da arte e educação

Geovan foi resgatado de uma situação de vulnerabilidade social por meio da dança. Ele acredita que a arte e educação podem transformar a vida de outras crianças e adolescentes brasileiras, com a ampliação de horizontes e desenvolvimento da cidadania.

“A arte e a educação podem evitar a exclusão social, trabalhar o físico, afetivo e social, contribuindo para a socialização das crianças, especialmente aquelas que vivem em áreas de risco”.

Hoje, Geovan tem a oportunidade de transmitir o que aprendeu, enquanto professor do Centro Estadual de Arte (Cearte), em João Pessoa.

“Transferir o conhecimento é algo extraordinário. Me sinto realizado quando vejo meus alunos se aprendendo”, concluiu.

G1

 

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