”aprendi a ler e a contar”

Criança internada há mais de 4 anos é alfabetizada em hospital na PB: ‘aprendi a ler e a contar’

Publicado em terça-feira, setembro 14, 2021 ·

A pequena Alexsandra Barbosa, de 9 anos, passou metade da vida internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Lelê, como ela é carinhosamente conhecida, está há quatro anos e meio em uma UTI infantil, mesmo local em que aprendeu a ler, com a ajuda da equipe de profissionais da unidade de saúde.

No último dia nove de setembro, ela vivenciou uma formatura simbólica e recebeu o diploma, que indica que está apta para ingressar no ensino fundamental, algo que ela promete tirar de letra, se mantiver o mesmo desempenho da alfabetização.

“Foi fácil. Aprendi a ler e a contar até 10”, confessou.

A menina tem distrofia muscular congênita e é dependente de ventilação mecânica. Por isso, não chegou a ir a uma escola.

 

O processo pedagógico começou em 2020, mas com a pandemia de Covid-19 teve uma pausa e retornou em 2021. O trabalho multidisciplinar contou com as participações dos profissionais dos setores de serviço social, psicologia, UTI infantil e da Secretaria de Educação do município de Juazeirinho, de onde a garota é natural.

A mãe de Lelê, Edilane Barbosa, contou que a menina amava as aulas e que notou uma melhora na interação dela com as outras pessoas, depois do início do processo de alfabetização.

“Hoje eu acho ela outra pessoa, depois que ela começou a ter aulas. É uma satisfação muito grande para uma mãe,” contou sobre a filha única.

A psicopedagoga do hospital, Siudete Costa, relatou um pouco sobre como se sentiu durante o processo de alfabetização da pequena.

Lelê, ao lado dos pais, na formatura do ABC — Foto: João da Paz/Ascom Trauma CG

Lelê, ao lado dos pais, na formatura do ABC — Foto: João da Paz/Ascom Trauma CG

“Para mim foi muito gratificante, mas principalmente ao conhecer Lelê, a minha vontade foi de dar a ela a oportunidade do saber. É maravilhoso ver o direito da criança acontecer em um mundo que só vemos violação de direitos”, reforçou.

Os estudos dela vão continuar, mas agora, com aulas remotas, por meio de um tablete enviado pela prefeitura de Juazeirinho.

Sonho de voltar para casa

Na data em que comemorou a formatura, Alexsandra revelou ter um sonho.

“Eu só queria voltar pra casa, brincar com meu primo”, disse.

O desejo foi reforçado pelo pai dela, Adeildo dos Santos.

“Meu sonho é ela ir pra casa, ficar ao lado da família”.

Os profissionais do hospital disseram que estudam essa possibilidade. Mas, para que isso aconteça, Lelê precisa contar uma equipe técnica que fique à sua disposição durante as 24 horas do dia.

Ter aulas no ambiente hospitalar é um direito

É um direito do aluno garantido por lei ter aulas no ambiente hospitalar. De acordo com o artigo 214 da Constituição Federal, o Poder Público deve conduzir à universalização do atendimento escolar.

Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional assegura que o Poder Público deve criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, podendo se organizar de diferentes maneiras para garantir o processo de aprendizagem. Diante disso, um parecer do Conselho Nacional de Educação torna o atendimento obrigatório tantos nos hospitais quanto nos serviços de atendimento ao paciente em casa.

G1

 

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