Corrupção:Quando achamos que não somos corruptos…

Publicado em quarta-feira, julho 2, 2014 ·

maos (1)Exibi aos meus alunos um vídeo em que a OAB-SP mostra as várias formas de corrupção, no caso, Brasil, e pede um minuto de silêncio às 13h do dia 17 Ago 09.

Aparecem várias pessoas, individualmente, mostrando cartazes com os tipos de corrupção mais comuns. Exibi-o para as 8 turmas, que dá um total de 395 alunos. É a presença que faço em sala de aula.

Quando faltam 10 minutos para o término da aula, distribuo meia folha de papel e lhes dou um tema, às vezes, aleatório, às vezes já pensado. Eles terão esses 10min para comentar esse tema, em no mínimo 10 linhas, que será usado para lançar a presença e, corrigido, é devolvido na aula seguinte. Assim evita-se a fraude na presença, pois a lista que alguns professores passam pode ser assinada por outro aluno; quanto à presença verbal, também apresenta falhas, porque no tumulto, geralmente no final da aula, um responde pelo outro. Até hoje meu processo não falhou, porque é muito difícil um discente conseguir fazer dois textos, bem pensados, em menos de 10min.

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Quanto ao texto a que me referi – da OAB – a maioria escreve, concluindo o texto, que devemos fazer alguma coisa para melhorar este país etc, só que paralelamente a isso, na semana que antecede às provas e, na própria semana, que fazem esse trabalho, muitos estão nas fotocopiadoras fazendo reduções das disciplinas que serão cobradas em sala; outros passam uma noite nos portões de entrada da instituição para na manhã seguinte serem os primeiros a entrar e ocupar as carteiras do ‘fundão’ para poder ‘filar’ ou ‘colar’.

Outro vem a mim e pede para não dar falta para fulano, porque foi ao médico (no intervalo vou à cantina e lá está o ‘faltoso’ de laptop aberto); e assim um milhar de pequenas corrupções, num treinamento para corrupções maiores quando estiverem exercendo funções administrativas ou políticas.

Aqui cabe uma ressalva: por que não dou presença quando alunos vêm a mim justificando faltas de outros? Porque há mais ou menos cinco anos, numa reunião de início de semestre, onde são tratados esses assuntos, um professor que exercera função administrativa num determinado colégio da capital, nos contou este episódio: dois policiais foram ao colégio procurar por um determinado aluno. De posse dessas informações, os dois queriam saber se no dia anterior esse aluno estivera no estabelecimento assistindo às aulas. Vistos os diários, confirmou-se que um professor havia lhe dado presença e outro não, dos dois que atuaram naquela noite. Os policiais, então, informaram que esse jovem, que já estava preso, havia matado um homem em Bayeux nesse horário das aulas. Conclusão: esperto, foi ao colégio procurar um alibi. Só um professor, ‘bonzinho’, deu-lhe crédito à desculpa apresentada pelo atraso; o outro, honesto com seus afazeres, não aceitou as desculpas e deu-lhe falta, o que, ao longo dos procedimentos judiciais (o jovem acabou condenado), o professor ‘bonzinho’ foi chamado várias vezes para justificar-se e o outro, que lhe dera falta, não foi incomodado pela justiça.

Voltando a um passado muito distante, li certa vez, não lembro onde, que o primeiro caso de corrupção de que se tem notícia, ocorreu na Babilônia, milhares de anos antes de Cristo. Um aluno não ia bem na escola, o professor reclamava com a família, e nada. Um belo dia o pai do aluno convidou o docente para almoçar com a família. Foi. Foi tratado com todas as honras. Na despedida o pai perguntou-lhe: e o meu filho, como está indo? Resposta do professor: não se preocupe com ele, será aprovado. Precisamos dizer mais ou paramos por aqui? Nunca pararemos de protestar.

Por Luiz Antonio Dalri

 

 

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