Correlação de forças na CPMI é desfavorável às investigações sobre a mídia

Publicado em quarta-feira, Maio 23, 2012 ·

 

O Partido dos Trabalhadores (PT) reafirmou sua disposição em investigar as relações criminosas da quadrilha de Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados, incluindo setores da mídia, durante reunião da Executiva Nacional, na última sexta (18), em Porto Alegre (RS). Mas, na prática, a correlação de forças na CPMI do Cachoeira não está nada favorável. E não é apenas por causa da oposição. Mesmo a base aliada do governo e outros partidos de esquerda, historicamente comprometidos com a democratização dos meios de comunicação, apresentam uma posição sobre o assunto, no mínimo, recuada.

“Eu não sou dos mais otimistas em relação a esta CPMI. É uma CPMI que fragiliza muito a oposição. E também setores da mídia conservadora que, queiramos nós ou não, ainda pautam a agenda política do país. Por isso, muitos parlamentares vão até lá só para ‘prestar serviço’”, afirmou à Carta Maior o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR).
Segundo ele, a forma com que a mídia vem tratando o episódio envolvendo o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), membro titular da CPMI, desde a última semana, demonstra a ofensiva armada para tentar inviabilizar as investigações.

Vacarezza foi flagrado por um cinegrafista do SBT, na última quinta (17), enviando uma mensagem, via celular, ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), com o seguinte conteúdo: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)”.

A mensagem foi enviada logo após os membros da CPMI discutirem um requerimento do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que previa nova solicitação de dados à Polícia Federal sobre as ligações telefônicas entre Carlos Cachoeira e o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Junior. Os membros da Comissão também haviam decidido não convocar Cabral para depor, apesar dos protestos da oposição. Nos dois casos, o PMDB se dividiu.

“O episódio com o Vacarezza está sendo usado pela mídia para enfraquecer o PT e a pauta do partido que, aliás, é a que motivou a criação da CPMI: investigar as relações do Cachoeira com agentes públicos e privados, e não se perder em investigações sobre a relação do crime organizado com a empreiteira Delta, como quer a oposição, na tentativa de desviar o foco central”, acrescentou.

Segundo Vargas, o que Vacarezza escreveu é o que ele próprio já havia dito publicamente. “Não há, pelo menos até o momento, nada contra Cabral e nem contra nenhum outro governador, à exceção do Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. “Vacarezza tem se destacado muito pela capacidade de articulação e enfrentamento. Não é por acaso que o estão atacando”, justifica.

Executiva do PT
De acordo com o documento aprovado pela Executiva do PT após a reunião de sexta, “a CPMI poderá elucidar a infiltração do crime organizado e da corrupção na alta política nacional, como foi a tentativa denunciada em escutas oficiais de que o meliante Carlos Cachoeira pretendia fazer nomear o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) para o Supremo Tribunal Federal. Tal fato não encontra paralelo na história do Brasil: um assecla da organização criminosa ser guindado à mais alta corte de justiça do País”.

Ainda no documento, o partido tenta desfazer o equívoco, patrocinado pela oposição com reverberação na mídia, de que a investigação se configuraria ataque à liberdade de expressão.

“Entre as denúncias que precisam ser apuradas a partir de elementos probatórios em mãos da CPMI estão as relações entre o crime organizado e alguns órgãos de imprensa. O que está em jogo é a apuração de fatos criminosos, não os ataques à liberdade de expressão, como tentam confundir setores da mídia conservadora. Quanto aos meios de comunicação, reafirmamos a resolução aprovada no 4º. Congresso do PT: ‘Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa’”.

Najla Passos/Carta Maior
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