Comprar imóvel na planta com prestações muito baixas é um risco, alerta especialista

Publicado em segunda-feira, outubro 14, 2013 ·

contasA compra de um imóvel na planta envolve diversos riscos e pegadinhas. Um das principais armadilhas, segundo o advogado Marcelo Tapai, sócio do escritório Tapai Advogados e especialista em Direito Imobiliário, é o valor das parcelas durante a obra, que costumam durar entre 30 e 36 meses, dependendo da construtora.

“Não existe mágica. Se o corretor apresentar um fluxo de pagamento com parcelas muito baixas, é sinal de que o saldo vai ficar muito grande na hora de financiar. Por isso, é preciso avaliar com cautela, e na ponta do lápis, se esses débitos vão se encaixar na renda do comprador (pessoa depois)”, explica.

Como exemplo, um imóvel de R$ 200 mil, no qual o cliente dá uma entrada de R$ 10.000,00 no ato da compra e assume prestações mensais de R$ 800,00 durante a obra, que será de três anos.

Quando o imóvel ficar pronto, o cliente terá pago à empresa entre sinal e prestações, um total de R$ 43.372,03 e seu débito será maior do que o valor total no momento da compra, havendo um saldo devedor de R$ 203.909,64. *

Essa diferença entre as parcelas pré e pós-obra, que raramente é explicada ao consumidor no momento da compra e venda, é uma das principais causas de desistência do negócio no momento da entrega das chaves.

“Na hora de comprar, no stand de vendas, a construtora usa todas as ferramentas que possui para encantar o cliente. Inclusive, faz folhetos de propaganda e comerciais de TV afirmando que a parcela é bem pequena e que cabe no bolso. Se não souber como é feito o cálculo e como esse pagamento menor no início vai impactar no valor final, a pessoa acaba fechando negócio e na entrega do imóvel descobre que não tem renda disponível para financiá-lo”, argumenta.

Em seu escritório, Tapai tem cerca de 150 casos de rescisão de contrato de compra de imóvel na planta, dos quais 50% são por culpa do comprador, ou seja, ele não teve recursos financeiros suficientes para dar entrada no financiamento bancário e teve que desfazer o negócio. Nos últimos três anos, as ações de distrato saltaram 1000% no escritório.

Segundo Tapai, a manobra de oferecer parcelas pequenas durante as obras visa iludir o consumidor que paga aluguel. “Em tese, ao pegar as chaves, a pessoa deixaria de pagar o aluguel e assumiria o financiamento bancário, mas sabemos que o processo não é tão automático desta forma. Muitas vezes o período do contrato de locação não coincide com entrega prometida do imóvel e, em muitos casos, o comprador precisa fazer reformas no imóvel, prolongando sua estadia no local alugado e sobrecarregando suas despesas”, explica.

Para certificar-se de que todas as parcelas se encaixam em seu bolso e que o reajuste nos valores já está absorvido em seu planejamento financeiro, o comprador deve pedir que todo o fluxo de pagamento seja explicitado com clareza no contrato e levá-lo para um especialista avaliar e confirmar que é uma compra segura.

MaisPB com Assessoria 

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