CHEGOU DOIS DIAS ANTES DO FESTIVAL: Convite não foi feito oficialmente

Publicado em quinta-feira, novembro 24, 2011 ·

cambindas 9CULTURA SECULAR FICOU DE FORA DE FESTIVAL: O grupo de cultura mais tradicional não participou do 2º Festival Internacional de Folclore do Cariri ocorrido de 20 a 22 de novembro em Taperoá. Organização disse que convidou e que coordenador de As Cambindas havia declarado que não estaria presente por causa da falta de figurino. Ednlado Levino alegou que o grupo não participou porque convite chegou em cima da hora. Não teria, segundo Nego Nal, como é mais conhecido, tempo para os integrantes se prepararem. Na foto: Pesquisadora da UFCG, Érika Catarina, ao lado de parte do grupo, no momento de descanso entre uma gravação e outra para a reportagem do dia do folclore para a TV Itararé, afiliada em Campina Grande da TV Cultura. As gravações, que duraram um dia inteiro, renderam também um documentário sobre a As Cambindas. De acordo com Ednaldo Levino, as meninas, em sua maioria adolescentes e como tais bastante vaidosas, se negam exporadicamente a se apresentarem com o figurino feito há mais de dez anos.

Ao ser informado por um amigo da polêmica que se deu em uma rede social na internet sobre a ausência do centenário grupo de cultura As Cambindas no 2º Festival Internacional de Folclore do Cariri, o coordenador Ednaldo Levino, popular Nego Nal, procurou a redação do blog Expressões do Cariri (www.expressoesdocariri.blogspot.com) para declarar o que realmente motivou aos dançarinos e dançarinas ficarem de fora da festa. Segundo a assessoria de imprensa dos organizadores do evento, isso ocorreu porque o coordenador havia dito que não participaria por falta de figurino.

Ednaldo, que durante toda a entrevista se mostrou muito insatisfeito com o tratamento indiferente dado a As Cambindas por alguns segmentos da sociedade, contou que há cerca de duas semanas se encontrou por acaso com a coordenadora do Pontão de Cultura Cariri Território Cultura, Alice Lelys, em um domingo na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e que conversaram informalmente sobre o evento.

Na ocasião, Alice chegou a levantar à possibilidade de o grupo participar do Festival e ouviu de Nego Nal declarações sobre as dificuldades, como por exemplo, a vestimenta feita há mais de 10 anos e que está praticamente sem condições de uso, que enfrenta para manter a tradição da dança africana que já está na quarta geração da família Levino. Nal disse para Alice que as roupas dos integrantes estão velhas e que principalmente as meninas, a maioria adolescentes e vaidosas, não querem mais fazer apresentações com as peças surradas.

Quinze dias após o encontro casual, Enaldo Levino disse que ao chegar em casa na última sexta-feira, 18, dois dias antes da estréia do Festival Internacional do Folclore do Cariri, encontrou um convite igual ao que foi entregue em outros estabelecimentos, ou seja não estava endereçado oficialmente para a As Cambindas, e mesmo se estivesse, segundo o coordenador, não daria tempo para os membros se preparem.

“Estava na AABB há cerca de quinze dias e a Alice também estava. Ela me informou sobre o evento e fez o convite de boca, com cara daqueles convites sem querer convidar, e ao chegar em casa na sexta-feira passada vi que foi deixado lá um convite desses que foram entregues a qualquer pessoa. Nada endereçado de forma oficial e com antecipação para As Cambindas”, afirmou Nal que acrescentou, ainda, que o grupo é carente e que a última ajuda que teve do poder público foi há cerca de 10 anos, quando na época foram comprados tecidos para a confecção do figurino que dura até hoje.

A pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Érika Catarina, também ficou indignada com a ausência de As Cambindas no festival, em especial na segunda-feira, 21, Dia da Consciência Negra.

Érika, que estuda a manifestação africana de Taperoá há mais de dois anos, entrou em contato com o blog Expressões do Cariri e afrimou que o Pontão de Cultura de Alice Lelys perdeu uma grande oportunidade de prestar homenagem ao grupo de arte mais tradicional do município e que faltou com respeito à história da cidade ao não se esforçar e colaborar para que As Cambindas tivessem participado, principalmente na segunda-feira, 21, dia da celebração da cultura negra no país.

Ela comentou, ainda, que fazer convite em cima da hora e não oferecer recursos para As Cambindas foi um modo muito peculiar de não querer de fato a presença do grupo no festival.

“O convite tem algo muito sutil por trás, fazer convite é fazer aliança com quem você quer se relacionar, o pontão de cultura situado em Taperoá não quer se relacionar com As Cambindas, fazer convite em cima da hora ou não dar uma contrapartida para que eles dancem, é uma forma bastante fina em dizer um não em um convite que não quer efetivamente convidar o outro”, enfatizou.

Apesar de não ter estado no festival e de muitos insistirem em afirmar que a As Cambindas não existem mais, Nego Nal está empreendendo esforços para o grupo, que ele defende ser a única cultura viva da cidade e que outros grupos apenas retratam a arte, se fortaleça.

O coordenador quer abrir conta bancária para adquirir recursos através de doações dos taperoaenses que gostam de As Cambindas e ampliar a história do grupo que chega aos 112 anos em 2011 com a criação de uma pagina eletrônica na internet.

Jandro Gomes para o Focando a Notícia

Comentários

Tags :

REDES SOCIAIS


















Focando a Notícia -
Proibida reprodução total ou parcial deste site sem aviso prévio
jornalismo@focandoanoticia.com.br