Caloteiro vai pagar mais caro pelas dívidas

Publicado em domingo, Maio 22, 2011 ·

caloteiro… .Empresas, bancos, associações de defesa do consumidor e até políticos se envolveram em uma polêmica por causa do consumidor nesta semana. O Senado aprovou uma medida para modificar a forma como são feitos os cadastros de consumidores inadimplentes, os caloteiros, pelas empresas de análise de crédito do país. A ideia é beneficiar quem paga em dia e penalizar aquele que atrasa.

Acontece que o chamado cadastro positivo não vai funcionar de forma tão simplista. Isso porque, no mercado, há todo o tipo de consumidor: do que paga em dia e merece benefícios, até o que nunca paga e dá calote em todo mundo. No meio do caminho, há quem tenha atrasado contas por causa de problemas maiores, mas que, no fundo, tentam manter as contas em dia.

Para Juliana Cantanhêde, gerente de contas estratégicas da empresa de análise de crédito Zip Code, o cadastro vai ajudar as empresas a perceber que nem sempre quem tem restrição no nome é um mau pagador. Ela afirma que, mesmo quem eventualmente atrasou uma conta ou deu calote em uma prestação, poderá conseguir crédito se tiver um bom histórico.

– Muitas empresas têm feito um trabalho mesmo com quem não paga. O fato de você ser um devedor, não significa que você não possa ser um cliente. Se você tiver um perfil de compromisso com o pagamento cobrindo a inadimplência, você poderá ter crédito.

O cadastro positivo formará um banco de dados unificado sobre os clientes, com histórico de financiamentos, créditos concedidos, contas pagas (incluindo as de água, luz e telefone), entre outras informações para o mercado. Essa lista vai poder circular pelas empresas de análise de crédito e pelos bancos – diferentemente do que ocorre com o atual método, o cadastro negativo.

Hoje, cada empresa tem a sua (a Serasa, o SCPC, a ZipCode, entre outras), e a lista é feita somente a partir dos dados ruins das contas dos consumidores.

Juros menores

Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina, afirma que o novo cadastro vai baratear o crédito e permitir que os consumidores escapem de pegar empréstimos que não vão conseguir pagar, mesmo que precisem desse dinheiro.

– Ele [o cadastro positivo] promove o acesso da população ao crédito mais barato, afasta o risco sempre presente do superendividamento, e trabalha a favor do desenvolvimento da economia brasileira dando qualidade ao crédito.

Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), afirma que a nova medida vai permitir às empresas saber quanto o consumidor já tomou de crédito na praça.

– Você pode não estar negativo, não ter restrição no CPF, mas já está altamente endividado. No novo método, o crédito não vai ser liberado. Hoje, se você pegar um empréstimo em um lugar e depois for a outro pedir mais dinheiro, o segundo credor não vai saber do primeiro e vai emprestar, mesmo que sua capacidade de pagar essas dívidas tenha estourado.

Os especialistas citam que os juros serão a maior vantagem. Em poucas palavras, quem pagar em dia e tiver bom histórico, terá juros menores, analisa o economista da ACSP.

– Hoje, a única garantia que o consumidor dá é sua reputação. Seu histórico conta ponto e vai permitir que você tenha um juro diferenciado se for bom pagador. Hoje os juros são pela média. O bom paga mais por causa daquele que não paga. Isso vai provocar discriminação contra o mau pagador? Esse é o objetivo. O bom pagador não quer continuar pagando mais por causa do mal pagador. Essa medida já funciona em vários países desse jeito.

Críticas

Para a Fundação Procon-SP, a medida cria restrições e não dá a garantia essencial ao bom pagador: a de que ele vai pagar, de fato, juros menores nas suas compras. Em nota, a entidade diz que “é fundamental que, ao disponibilizar todo o seu histórico de consumo, os cidadãos tenham garantida essa contrapartida: a efetiva redução da taxa de juros”.

Para o Procon, o cadastro positivo “sujeita o consumidor à manutenção de suas informações pessoais no banco de dados, não estando claro por quanto tempo essas informações ficarão disponíveis”.

– Isso coloca o consumidor em absoluta desvantagem, pois mantém disponíveis seus dados pessoais sem qualquer contrapartida. Outro ponto que merece crítica é o que restringe o acesso gratuito do consumidor às informações sobre ele existentes no banco de dados a uma vez a cada quatro meses. Tal limitação desrespeita direito básico do cadastrado, o da informação.

Cantanhêde, da ZipCode, diz que o projeto, que ainda depende da aprovação da presidente Dilma Roussef para passar a valer, ainda tem lacunas. Uma delas será a forma como as empresas vão distribuir os dados dos bons pagadores.

– O cadastro positivo vai ajudar quem já está no mercado, que já tem um histórico, mesmo que não todo positivo. Mas quem ainda não tem histórico, o novo consumidor que vai fazer sua primeira compra, como é que fica? Outra situação é a forma como essa lista ficará disponível às empresas.

R7

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