Brasil assina compra de caças por US$ 5,4 bi

Publicado em segunda-feira, outubro 27, 2014 ·

aviao-suecoO governo federal assinou nesta segunda (27) com a empresa sueca Saab o contrato para a compra de 36 caças multifuncionais Gripen NG. O valor do contrato ficou quase US$ 1 bilhão acima do previsto quando a intenção do negócio foi anunciada, em dezembro de 2013: US$ 5,4 bilhões (R$ 13,7 bilhões no câmbio do começo da manhã, que deve variar bastante ao longo do dia).

Tanto a Saab quanto o governo brasileiro ainda irão falar sobre o contrato e o motivo do preço maior. Segundo apurado, ambas as partes esperaram o fim da eleição presidencial, vencida por Dilma Rousseff neste domingo (26), para divulgar a assinatura –ocorrida na sexta-feira (24).

Assim, o tema não foi levado ao último debate entre Dilma e Aécio Neves (PSDB), ocorrido na Rede Globo na noite da sexta. Compras militares, aliás, não foram assunto nesta campanha eleitoral.

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O pagamento não é imediato, e sim será feito num financiamento que pode durar até 14 anos após a entrega do último avião, em 2024. Os detalhes ainda serão anunciados. O contrato precisa ser ratificado até o fim do ano pelo Congresso, para poder valer já no ano fiscal de 2015.Havia um temor entre os suecos que a vitória da oposição pudesse colocar, mais uma vez, o negócio em suspenso. Foi assim em 2001, quando Fernando Henrique Cardoso deixou para Luiz Inácio Lula da Silva a decisão da aquisição _na ocasião, o escolhido havia sido uma versão anterior do mesmo avião sueco.

A assinatura sacramenta o fim de uma história longa, iniciada em discussões nos anos 90 e aberta oficialmente em 2001 na forma da primeira licitação F-X (o F é a designação oficial para caças, o X indica um processo de escolha).

Lula acabou suspendendo o processo e o retomando como F-X2, com forte inclinação para a compra do modelo francês Dassault Rafale. Em 2009, chegou a anunciá-lo como vencedor da disputa, só para recuar após protesto da Aeronáutica, que na avaliação técnica preferia o Gripen NG.

Eleita para o primeiro mandato, Dilma congelou o processo. Tomou a decisão da compra no fim do ano passado. O Gripen NG, que na Suécia já tem o nome oficial de Gripen E/F (a geração atual da aeronave), foi escolhido por ser um modelo em desenvolvimento de um caça existente, possibilitando a divisão do conhecimento do processo industrial com empresas brasileiras.

A principal beneficiária será a Embraer, maior empresa aeronáutica do país, que assumirá progressivamente a linha de montagem do caça. A previsão é de um índice de nacionalização de 40% quando o último caça for entregue.

O avião segue a filosofia de outros produtos montados pela empresa paulista. Tem componentes de vários locais do mundo (EUA, Suécia etc.), e a ideia é que a indústria nacional se capacite para produzir parte dele. Em São Bernardo do Campo (SP) a Saab deverá abrir uma fábrica de peças de fuselagem, por exemplo.

São três os textos do contrato assinado entre Brasil e Saab. Um é o da compra do avião, o outro prevê a logística e o terceiro, a transferência de tecnologia _um processo previsto para durar 10 anos.

O avião caça sueco Saab Gripen NG, durante vôo
O avião caça sueco Saab Gripen NG, durante vôo

 

“Este acordo histórico leva a parceria a um novo nível”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Saab, Marcus Wallenberg, da famosa família de industrialistas suecos.

O contrato prevê a entrega dos Gripen enter 2019 e 2024. Antes disso, já em 2016, deverão chegar modelos anteriores do avião para funcionar como tampões na defesa do espaço aéreo central do Brasil, hoje cobertos por antigos F-5 modernizados, que não são adequados para interceptação.

A Força Aérea negocia o empréstimo de até 12 desses Gripen C/D, que serviriam também para treinar os pilotos na nova plataforma, já que há muita comunalidade entre as gerações do avião. Hoje o Gripen voa em seis países.

Folha Online

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