Antônio, só no papel

Publicado em sábado, abril 6, 2013 ·

artigoramalho

Não sei por que botaram Antonio no seu nome.Se foi promessa ao Santo, cuja mãe era devota ou homenagem ao Tenente de Trinta, que o pai admirava. Conciliados, batizaram-no de Antonio Juarez Farias, na pia da Igreja de Cabaceiras. O  Antonio só durou enquanto foi “Toinho”, operador da  única máquina de escrever do Cartório local.Quando ascendeu a escrevente de  cartório em Campina Grande, nasceu o Juarez  que ganharia o mundo e se tornaria um exemplar servidor publico do Brasil e da Paraíba.

Semana passada, contrariando suas ordens, alguns amigos foram reunidos para um almoço de confraternização. Estava proibido discurso. A emoção está à flor da pele nesse paraibano de oitenta anos. Juarez Farias preside hoje o que denominei de Confraria dos Cabelos Brancos e que, vez por outra, em seus almoços da sexta-feira,  aceita convidados mais jovens que se deliciam com a narrativa dos fatos vivenciados pelos comensais. Têm cadeira cativa nessa academia sem eleição e sem normas, o próprio Juarez, Luiz Nunes, Evaldo Gonçalves, Arnóbio Viana, Gleryston Lucena, Rafhael Carneiro Arnaud, Geraldo Almeida, Osvaldo Trigueiro do Vale  e, este que vos fala. Eventualmente,  Aracilba Rocha, Fernando Catão e João Fernandes. A pauta é livre mas inclui a vedação expressa de  comentários sobre os exames de saúde dos que estão ao redor da mesa. A saúde dos ausentes, pode ser…

Proibiram discurso de saudação aos oitenta anos de Juarez, mas não estou impedido de dizer neste espaço o orgulho que sinto em ser seu amigo.  Saído de Cabaceiras, mesmo Campina sendo grande, foi pequena para os seus vôos.  Esteve por lá até que apagaram a estrela nascente de Felix Araujo. Depois, um concurso  colocou-o  no Banco do Nordeste e sua competência levou-o à SUDENE, à diretoria do  BNDES, do BNB, do Banco Nacional de Habitaçao-BNH e ao Governo da Paraíba. João Agripino fez dele seu Secretário de Planejamento e a Assembléia Legislativa o elegeu  Vice-governador. Esteve no exercício do cargo de Governador por várias vezes. Ronaldo Cunha Lima o trouxe de volta à Paraíba. Foi convocado  para o Tribunal de Contas, onde se aposentou depois de presidi-lo.

Nenhum paraibano vivo, merece mais que Juarez Farias ser homenageado pelos serviços prestados ao seu Estado e ao seu País. Suas ações reclamariam mais espaço. Lembro algumas: para ir ao Banco Mundial e negociar com os gringos o dinheiro do Anel do Brejo,  Agripino  mandou Juarez. Para arrancar do regime militar a pavimentação da BR-230 até Cajazeiras, lá estava Juarez com as justificativas econômicas da obra. Hermano Almeida,prefeito de João Pessoa,obteve recursos para asfaltar o Bairro de Manaíra que Dorgival Terceiro Neto deixara no Retão.Quem estava no BNH e inventou o Projeto Cura? Preciso dizer que foi também pelas mãos  desse imortal da nossa Academia de Letras que o  Brasil se encheu de conjuntos residenciais a acolher milhares de sem-teto?  Quando Celso Furtado aceitou a SUDENE tinha uma meta: mudar tudo no nordeste. E para isso, trouxe Juarez de volta à região. O novo nordeste pós SUDENE tem também a sua marca.

Aposentado, cercado dos amigos e da família que é seu orgulho, o  Juarez oitentão  lembra tanto o general homônimo descansando de grandes batalhas quanto o  Santo de Lisboa, o maior intelectual da Igreja, no seu tempo. Se o  Antonio de Juarez ficou apenas no registro,e ninguém assim o chama, o Santo não pareceu magoado.  Demonstrou sentir orgulho do seu afilhado, não lhe negando proteção  durante toda sua vida lutas e vitórias.

 

 

RAMALHO LEITE

 

 

 

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