Análise: Tucano age para constranger Aécio e afastar Kassab do PT

Publicado em sexta-feira, agosto 16, 2013 ·

aecioA frenética movimentação de José Serra para se apresentar como candidato à Presidência em 2014, dentro ou fora do PSDB, tem duas consequências imediatas: dissemina interrogações sobre o cacife do rival não declarado Aécio Neves e embaralha a montagem de alianças dos principais postulantes ao Planalto.

Mais que fustigar o senador, a quem serristas atribuem pouco ou nenhum empenho em 2010, quando era ele o presidenciável tucano, o ex-governador paulista passou a acreditar mesmo que a queda de popularidade de Dilma Rousseff e as demandas das manifestações de rua o recolocam no páreo.

Ao cumprir agenda típica de campanha no Sul e no Nordeste, o tucano diz a auxiliares –e reitera em pronunciamentos públicos e artigos– que os protestos evidenciam o que chama de “vácuo de governança nacional”.

Alimenta ainda a ideia de que a oposição não disporia de instrumental imediato para produzir plataforma convincente e nome robusto para enfrentar o PT nas urnas.

Nesse cenário, o questionamento direto à performance gerencial de Dilma tornaria irreversível a reedição do embate de três anos atrás. Ou seja, ele, Serra, seria a opção mais viável no campo oposicionista para, no mínimo, defender os 43 milhões de votos que obteve na ocasião.

Confrontado com os obstáculos que enfrentaria numa nova eleição –sobretudo a rejeição, mais que o dobro de sua intenção de voto no último Datafolha–, Serra faz outro cálculo: estando ele no PSDB ou em outra sigla, como o PPS, a pulverização de candidaturas lhe daria condições até de chegar a eventual segundo turno.

Assim, só restaria uma atitude a esta altura, 14 meses antes do pleito: seduzir potenciais aliados, construir condições para a disputa e avaliar os riscos da empreitada.

Quem conhece de perto a trajetória do tucano sabe que ele não costuma hesitar ante missões ditas impossíveis. Tem sido assim desde 1988, quando topou às pressas candidatura de improvável sucesso para a prefeitura paulistana herdando a vaga reservada a Franco Montoro.

No tucanato, o ex-governador joga com a dúvida que alas do empresariado e do meio intelectual nutrem sobre o desempenho de Aécio fora de seu esteio mineiro.

Para além de sua legenda, retarda, por ora, o ímpeto governista do aliado Gilberto Kassab e seu PSD, que vinha se convertendo em força auxiliar do consórcio PT-PMDB no projeto reeleitoral de Dilma.

Pelo menos nos próximos 40 dias, prazo no qual decidirá se trocará de partido, Serra tentará ser protagonista de um jogo no qual parecia estar precocemente escanteado.

 

Folha

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