Aluno que promover brincadeira em redação do Enem terá nota zerada

Publicado em quinta-feira, setembro 5, 2013 ·

ELZA FIÚZA/ABR
ELZA FIÚZA/ABR

O ministro da Educação, Aloizio Mercante, afirmou nessa quinta (5) durante uma entrevista coletiva sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em Brasília, que as redações da prova serão avaliadas com mais rigor do que no ano passado. Para isso, o MEC quase dobrou o número de corretores, criou uma comissão de doutores e pós-doutores para treiná-los e estabeleceu uma nova regra, pela qual as inserções de trechos indevidos poderão invalidar os textos, o que na prática significa nota zero. A prova será realizada em 26 e 27 de outubro por 7,1 milhões de candidatos, novo recorde, superando 5,9 milhões no ano passado.

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“Criamos uma comissão de especialistas para corrigir redação. São doutores e pós-doutores, todos com notório saber, que estão nos ajudando em estudos, pesquisas e na formação dos corretores. Temos feito mesas-redondas, artigos, vídeo aulas, tudo para aprimorar nossa capacidade de fazer uma boa avaliação”, disse o ministro, durante o lançamento do guia do candidato, que está disponível apenas pela internet, no site do ministério.

Na edição do ano passado, estudantes inseriram na redação trechos do hino do Palmeiras e receitas culinárias. Pela regra anterior, isso resultava em uma perda de metade da nota, cujo máximo é de mil pontos. “Esse edital é mais rigoroso e a banca será mais rigorosa na avaliação. As inserções indevidas podem zerar a redação, e não mais tirar metade da nota, principalmente quando é uma inserção de deboche e que não cabe no conjunto do texto”, disse.

O Ministério da Educação praticamente dobrou o número de corretores das redações: foram contratados 9.500 profissionais contra 5.600 no ano passado. Cada um deve avaliar uma média de 1.600 redações. O valor pago por texto corrigido também aumentou de R$ 1,90 para R$ 3. Ao todo, serão produzidas 15,7 milhões de provas, incluindo as adaptadas para estudantes com necessidades especiais, que serão aplicadas em 1.661 municípios.

As redações do Enem são avaliadas por dois corretores, em cinco competências diferentes. Se houver uma diferença de 100 pontos ou mais, o texto será avaliado por um terceiro corretor e, caso a diferença persista, ela será encaminhada para uma comissão de avaliadores. Na última edição a diferença deveria ser de 200 pontos para que o texto fosse encaminhado para o terceiro corretor. Com a mudança, 52% das redações devem ser avaliadas por três profissionais.

Exceções

Mais de 70 mil provas serão adaptadas para candidatos com necessidades específicas. Para os alunos com cegueira ou baixa visão serão contratados ledores especialistas, capacitados para fazer a leitura de gráficos e imagens, além da impressão de provas ampliadas e da compra de mesas maiores para seu manuseio. Além disso, haverá provas em braile, tradução simultânea em Libras e especialistas em leitura labial, dependendo da necessidade de cada candidato.

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, entrará em contato, individualmente, com cada estudante que declarou precisar de adaptações. Entre eles, 14 são cegos, surdos e mudos e precisarão de um sistema de comunicação específico e um escreve apenas com os pés e precisará fazer a prova deitado.

Além disso, 6.068 gestantes farão o Enem. Delas, 3.108 irão dar à luz em outubro, e 517 podem ter os bebês durante os dias de prova. No ano passado, a jovem Pâmela Oliveira, de Sidrolândia (MS), teve o filho no segundo dia do Enem, no banheiro da escola estadual onde fazia a prova. Ela recebeu atendimento e pôde fazer um novo exame semanas mais tarde.

“Precisamos colocar um suporte para a eventualidade de fazer um novo parto ou ter a estrutura para que a candidata possa chegar a tempo de dar à luz no hospital”, disse Mercadante. “Se precisar vamos recorrer ao Mais Médicos”, brincou, citando o programa do governo federal que leva médicos para municípios pobres onde não há profissionais.

Quem precisar de adaptações especiais e não a receber ligação do Inep deve entrar em contato com o órgão, pelo telefone 0800-616161. A ligação é gratuita.

Dicas

O guia da prova, lançado hoje, traz orientações para o candidato. O manual é dividido em quatro partes: a primeira apresenta como os textos serão avaliados e esclarece dúvidas relacionadas ao tamanho, título e padrões ortográficos; a segunda detalha as cinco competências que serão avaliadas; a terceira analisa redações do Enem 2012, tendo em vista o que se esperava do candidato; e a última traz cinco redações que obtiveram a nota máxima no ano passado, com exemplo.

O ministro foi questionado pelo fato de, em uma delas, um candidato ter escrito a palavra “espanhóis” sem acento em uma das vezes que grafou o termo. “Fica claro que todas as competências estão bem trabalhadas pelo participante. Há uma palavra que ele usa três vezes, uma sem acentuação. Isso mostra que tem domínio e não agride os princípios do Exame”, explicou Mercadante.

“Seria simples colocar uma redação sem nenhum erro. Os especialistas defendem que um jovem que está fazendo o Enem está em processo de domínio da norma culta e é preciso considerar as cinco competências que dão a qualidade da redação”, continuou. “Há um erro específico, mas o conjunto do texto demonstra o domínio.”

Entre o final de setembro e o começo de outubro, os candidatos receberão um cartão pessoal confirmando a inscrição e indicando os locais de prova. O ministro pediu que os estudantes visitem o local com antecedência e saiam de casa com tempo de sobra para chegar, mesmo com imprevistos.

“A coisa mais triste é ver um jovem que estudou e se preparou chorando no portão porque não chegou a tempo. O horário não é o local. É o de Brasília”, disse. “Não brinquem com celular na sala de aula. É proibido”, lembrou. Quem não receber o cartão deve entrar em contato com o Inep.

O Enem é pré-requisito para acessar programas de acesso a ensino superior, como o Sisu, Fies, o ProUni e o Ciência sem Fronteiras, além de programas de inserção no ensino técnico.

 

por Sarah Fernandes, da RBA

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