Aliados em Brasília, PT e PMDB divergem em ao menos 18 capitais

Publicado em domingo, junho 3, 2012 ·

Foto: Roberto Stcukert Filho/PR/Divulgação

A aliança entre PMDB e PT que se formalizou em 2010 com a eleição de Dilma Rousseff (PT) e seu vice Michel Temer (PMDB) não deve ter grande impacto nas disputas municipais deste ano. Levantamento realizado pelo Terra em 26 capitais brasileiras mostra que os dois partidos, principais bases do governo federal, provavelmente adotarão rumos bastante diferentes quando forem fechadas as candidaturas definitivas neste mês.

As cidades onde PMDB e PT devem estar juntos são Rio de Janeiro, Goiânia, São Luís e Maceió, onde alianças já foram definidas. Em 18 capitais, entretanto, a indicação é de que os dois aliados irão disputar por caminhos opostos. São elas: Belo Horizonte, São Paulo, Vitória, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Cuiabá, Campo Grande, Recife, João Pessoa, Teresina, Natal, Salvador, Fortaleza, Rio Branco, Belém, Boa Vista e Manaus.

A divisão, de acordo com o presidente do PT em Alagoas, Joaquim Brito, é contrária a uma orientação da direção da legenda. “A orientação do PT nacional é apoiar a candidatura dos partidos que compõem a base aliada da presidente Dilma Rousseff”, afirmou recentemente. Em Maceió, os partidos de Dilma e Temer definiram apoio a Ronaldo Lessa (PDT).

Se em Alagoas as coisas se resolveram rapidamente, na capital do Maranhão o assunto gerou polêmica. Candidato do PT, Washington Luiz de Oliveira conta com o apoio do PMDB em sua candidatura, o que movimentou os bastidores de um Estado tradicionalmente governado pela direita. Washington trabalha para ter ainda PDT, PTC, PSB e PCdoB para sua chapa. “Eu sempre fui um político em busca de unir forças, por isso gostaria muito dessa aliança de todos os partidos da base do governo Dilma”, afirmou.

O posicionamento de Washington, por outro lado, gera discussões em seu próprio partido. Único deputado estadual petista no Maranhão, Bira do Pindaré foi derrotado nas prévias do PT em São Luís e se mostrava totalmente contrário a uma aliança com a sigla do senador José Sarney e de sua filha Roseana Sarney, governadora do Maranhão. “Minha candidatura é do PT e não do grupo Sarney”, defende Washington.

Já nas duas maiores capitais do país, a situação dos dois partidos parece encaminhada: em São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB) e Fernando Haddad (PT) serão adversários no primeiro turno, embora ainda possam se aliar num eventual segundo turno.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) – favorito à reeleição para a prefeitura – teve apoio anunciado pelo PT ainda em 2010, apesar de alas petistas dissidentes desaprovarem a união na cidade, alegando que o partido pode ficar com a identidade política enfraquecida no Estado.

Partidos-condomínio
A se confirmar agora em junho, o posicionamento dos dois partidos deverá ser realmente diferente em relação às eleições de 2008. Naquela ocasião, PMDB e PT ficaram de lados diferentes em apenas oito capitais.

A professora do departamento de ciência política da PUC-SP Rosemary Segurado explica que a divergência entre a conduta dos partidos nos municípios e no Executivo não é problema só de PT e PMDB, mas engloba todos os outros partidos e é uma característica marcante do próprio sistema político brasileiro, que além da pluralidade de siglas promove uma pulverização de correntes dentro das legendas.

“O plano local, a municipalidade, não conversa com o geral e acaba não se expressando no plano nacional”, comenta a professora. “Você tem um conjunto de acordos e divergências do ponto de vista local que às vezes podem ser minimizados quando se chega à esfera federal, e vice-versa”. Assim, os embates que acontecem no dia a dia da política ganham força para descosturar, nos municípios, alianças cuidadosamente alinhavadas no poder central.

Em outra razão para a discordância, Rosemary lembra, também, da falta de homogeneidade e do fisiologismo que muitos apontam como traços do PMDB. “Quando a gente fala PMDB, de qual PMDB estamos falando? Não tem uma homogeneidade”, critica a professora.

“Mais que partido, vira uma espécie de um condomínio com vários apartamentos. Na minha casa eu faço o que eu quiser e a sua casa é outra. Então qual é o significado do partido?”, questiona, acrescentando que se esse condomínio partidário não enfraquece as alianças nacionais, é porque agrada aos interesses das siglas, que não ligam para a variação de alianças contanto que elas as fortaleçam nos redutos. “Ficamos olhando intrigados para aquela sopa de letrinhas que são as siglas partidárias, mas o partido funciona apenas como artifício.”, conclui.

Confira os cenários atuais nas capitais brasileiras

São Paulo (SP)
Gabriel Chalita (PMDB) contra Fernando Haddad (PT)

Rio de Janeiro (RJ)
Eduardo Paes (PMDB) tem apoio do PT

Belo Horizonte (MG)
PT não apoiará Leonardo Quintão (PMDB) e busca colocar um nome como o de Roberto Carvalho (PT) em alguma outra chapa, como a do PSB

Vitória (ES)
Paulo Hartung (PMDB) desistiu da pré-candidatura, abrindo caminho para um apoio a Iriny Lopes (PT), mas a situação ainda não está definida

Porto Alegre (RS)
Adão Villaverde (PT) não terá apoio do PMDB, que coligará com José Fortunati (PDT)

Curitiba (PR)
Rafael Greca (PMDB) contra Gustavo Fruet (PDT), que é apoiado pelo PT

Florianópolis (SC)
Gean Loureiro (PMDB) contra Márcio Souza (PT)

Goiânia (GO)
Paulo Garcia (PT) tem apoio do PMDB

Cuiabá (MT)
João Dorileo Leal (PMDB) ou Altevir Magalhães (PMDB) contra Lúdio Cabral (PT)

Campo Grande (MS)
Edson Giroto (PMDB) contra Vander Loubet (PT)

Recife (PE)
Raul Henry (PMDB) contra João da Costa ou Humberto Costa (PT)

João Pessoa (PB)
José Maranhão (PMDB) contra Luciano Cartaxo (PT)

Teresina (PI)
Marllos Sampaio (PMDB) contra Rejane Dias (PT)

Natal (RN)
Hermano Morais (PMDB) contra Fernando Mineiro (PT)

Salvador (BA)
Mário Kertész (PMDB) contra Nelson Pelegrino (PT) ou Walter Pinheiro (PT)

São Luís (MA)
Washington Luiz de Oliveira (PT) tem apoio do PMDB

Maceió (AL)
Ronaldo Lessa (PDT) tem apoio de PMDB e PT

Aracaju (SE)
Rogério Carvalho (PT), PMDB não se decidiu

Fortaleza (CE)
Danilo Forte (PMDB) contra Artur Bruno (PT) ou Elmano Freitas (PT)

Porto Velho (RO)
Fátima Cleide (PT), PMDB não se decidiu

Rio Branco (AC)
Fernando Melo (PMDB) contra Marcus Alexandre (PT)

Palmas (TO)
Eli Borges (PMDB), PT não se decidiu

Belém (PA)
Priante (PMDB) contra Alfredo Costa (PT)

Boavista (RR)
Teresa Surita (PMDB); PT será oposição, mas sem candidato já definido em coligação

Manaus (AM)
José Melo (PMDB) contra Francisco Praciano (PT)

Macapá (AP)
Evandro Gama (PT), Louviral Freitas (PT) ou Rocha do Sucatão (PT), PMDB não se decidiu

Terra

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