Aécio e Campos criticam Dilma, mas elevam gastos públicos em MG e PE

Publicado em segunda-feira, julho 7, 2014 ·

aecioMatéria publicada nessa segunda (7) no jornal Folha de S.Paulo, mostra que os gastos dos estados natais dos candidatos à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) se equiparam aos gastos do governo federal – um dos alvos preferidos das críticas da dupla de oposicionistas à gestão de Dilma Rousseff.

De  acordo com a publicação, os resultados fiscais Minas Gerais e Pernambuco, ambos no vermelho em 2013, dificultam crítica à gestão Dilma. Entre 2010 e 2013, os gastos do governo federal  com pessoal, custeio e investimentos aumentaram 39%. Mas em Minas, no governo de Antonio Anastásia aliado e sucessor de Aécio, a alta das despesas públicas nos mesmos setores foi de 37,4%. Em Pernambuco, sob o comando de Campos no mesmo período, foi maior, chegando aos 42,6%.

Segundo o jornal, o levantamento se baseou em relatórios exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e não levou em conta encargos da dívida pública e transferências obrigatórias aos municípios, por não se tratar de gastos decididos pelos governantes.

Os números de Minas e Pernambuco estão entre os mais elevados. Ambos estão entre os 13 Estados que fecharam 2013 no vermelho, com mais despesas que receitas. Recentemente,  o jornal O Globo, sem fazer alarde e sem manchete espetaculosa, pôs fim a um outro discurso do tucano sobre a quantidade de servidores do governo federal.

Nos oito anos de gestão de Aécio, o número de servidores cresceu 30,9% passando de 268,4 mil pessoas em novembro de 2003 para 351,5 mil em novembro de 2010. Apesar de Aécio ter anunciado, em seu governo, a extinção de 1,3 mil cargos ocupados por meio de indicação política em meio a um ajuste fiscal, nos anos seguintes os cargos foram restabelecidos e ainda foram criados outros 1,5 mil com o mesmo perfil.

No fim de 2010, ainda  durante a gestão de Aécio no governo mineiro, 13.069 cargos comissionados estavam ocupados, contra 10.199, em 2003. Ao fim de sua gestão, o número de servidores concursados era 12,1% inferior na comparação com o início, variando de 140.729 em 2003 para 123.640 em 2010

Os relatórios de gestão fiscal publicados pelo governo de Minas em 2011 confirmaram o aumento dos gastos com pessoal . Depois do ajuste fiscal dos dois primeiros anos, o percentual das despesas com pessoal do estado variou de 43,49%, em dezembro de 2005, para 48,61%, em 2010.

Em dezembro de 2013, Aécio e Anastásia comemoraram dez anos do chamado “choque de gestão”, mote do primeiro mandato à frente do governo mineiro de Aécio e propagandeado como modelo eficiente da administração pública. No entanto, as dívidas do Estado, sobretudo com a União, e o aumento no número de secretarias nos últimos anos contrariam o discurso.

O enxugamento da máquina pública era outra promessa do “choque de gestão”, mas não se confirmou no decorrer do tempo. No início, o número de secretarias que compunham governo estadual era de 21, mas a quantidade de pastas foi aumentando conforme o modelo foi fazendo aniversário. Hoje, são 29 as secretarias.

Aécio Neves e Eduardo Campos, precisam agora mudar o tom do discurso demagogo,  já que os dois não  dispõem de números muito diferentes do governo federal. Se o tucano quer passar uma imagem de austeridade, deveria começar no seu estado.

 

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