Adolescentes negras engravidam mais do que brancas, aponta estudo

Publicado em sexta-feira, Maio 13, 2011 ·

A taxa de fecundidade das mulheres brasileiras, ou seja, o número de filhos por mulher, vem caindo ao longo dos anos, mas entre as mulheres negras o ritmo é menor. De acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Ipea (Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas), a diferença entre a fecundidade das adolescentes negras e brancas se ampliou entre 1999 e 2009. Em 1999, as adolescentes negras tinham fecundidade 38,9% maior do que as brancas e em 2009 a fecundidade das negras ficou 65% maior do que a fecundidade das adolescentes brancas.

Segundo o Ipea, o dado mostra que os diferenciais de fecundidade entre mulheres brancas e negras não são homogêneos dentro dos vários grupos etários.

Para a taxa de fecundidade total das mulheres brasileiras, ou seja, em todos os grupos etários, houve queda de 0,6 ponto tanto para negras quanto para brancas. Entre as mulheres negras, a taxa de fecundidade caiu de 2,7 filhos por mulher em 1999 para 2,1 filhos em 2009. Entre as brancas, a taxa declinou de 2,2 filhos por mulher em 2009 para 1,6 filhos em 2009. Em ambos os casos a taxa de fecundidade é menor do que o nível de reposição, ou seja, não repõe as mortes no período.

As diferenças da dinâmica demográfica por raça, de acordo com o instituto, colocam desafios para as políticas públicas. E o maior deles, segundo o Ipea, é o envelhecimento da população, que acontece desde a década de 60, quando a taxa de fecundidade das mulheres brasileiras começou a cair provocando a redução da base da pirâmide populacional brasileira (na base da pirâmide estão os mais novos e no topo, os mais velhos).


Hoje, a queda da taxa de fecundidade ao longo dos anos reflete também no aumento do topo da pirâmide, que se alargou. O envelhecimento, no entanto, também é maior entre os negros do que entre os brancos. Entre 1999 e 2009, a população negra idosa aumentou em 3,6 milhões. Já a branca, em 3,2 milhões. Durante o mesmo período, a mudança na base da pirâmide foi diferente entre os dois grupos: a população branca sofreu redução na população menor de 20 anos em 4,2 milhões de pessoas. Já entre os negros houve redução apenas na população menor de 5 anos, com queda de 402 mil pessoas no período.

O estudo mostra ainda a diferença entre os grupos na composição por sexo. De acordo com o Ipea, a proporção de mulheres é maior entre os brancos em todas as faixas etárias.

Mais negros no Brasil

O comunicado do Ipea também traz dados do Censo 2010. De acordo com a pesquisa, em 2010 o número de brasileiros que se declararam negros foi maior do que o número de brancos. Isso aconteceu pela primeira vez desde 1890, quando negros e pardos eram maioria no país.

De acordo com o instituto, essa mudança, o aumento dos negros em 2010, pode ser decorrente tanto da fecundidade mais elevada entre as mulheres negras quanto pelo aumento das pessoas que se declararam pardas no Censo 2010. Em 1980, a população branca era maior do que a negra e, em 2010, 97 milhões de pessoas se declararam negras e 91 milhões, brancas.

R7

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