em João Pessoa

Adolescente suspeita de tentar matar o filho fruto de estupro vai para centro socioeducativo da PB

Publicado em terça-feira, outubro 19, 2021 ·

A menina de 15 anos que é suspeita de ter tentado matar o filho de quatro foi transferida na tarde desta terça-feira (19) para o Centro de Atendimento Socioeducativo Rita Gadelha, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. A informação foi confirmada pela promotora da infância Ivete Arruda, do Ministério Público da Paraíba, que falou da necessidade de realizar uma intervenção psiquiátrica e psicológica na adolescente.

 

O caso envolvendo a jovem é complexo. Ela tinha 11 anos de idade quando foi estuprada pelo próprio padrasto. E o filho foi gerado em meio a todos esses crimes. A adolescente informou ainda, em depoimento à promotora, que a mãe à época ficou em defesa do padrasto e a abandonou. O homem foi preso.

“Ela nos narrou que olhou para a criança na cama e veio na mente dela todas as cenas, como num filme, do que ela tinha passado durante os estupros. A dor que ela sentia, a afetação da dor… Ela decidiu tirar aquela dor e, pela segunda vez, tentou acabar com a vida da criança”, conta Ivete Arruda.

A promotora, no entanto, explica que, em que pese a menina ter muito provavelmente que responder pelo crime de tentativa de homicídio, todos esses atenuantes deverão ser levados em consideração, visto que ela sofreu desde muito cedo uma série de violências graves.

Relembre o caso

A mãe deu à luz ao menino aos 11 anos, em setembro de 2017, após ter sido estuprada pelo padrasto. A gestação só foi descoberta aos cinco meses, por meio de uma ultrassonografia, quando a criança foi levada pela avó para um posto de saúde.

Conforme o juiz Adhailton Lacet, o aborto legal não foi realizado porque a idade gestacional da menina já estava avançada, oferecendo riscos à saúde dela. O juiz também informou que o acusado de estupro chegou a ser condenado e atualmente cumpre pena.

Na época, mãe e filho chegaram a ser acolhidos por uma família, mas, após dois anos, eles voltaram para a casa de acolhimento. Enquanto estava com essa família, a adolescente relatou ter tentado afogar o menino em uma banheira, mas como não foi comprovado, a guarda da criança permaneceu com ela, e ambos eram assistidos pela Justiça.

No último domingo (17), a menina teria colocado o fio ao redor do pescoço da criança e, depois, fincado a caneta no pescoço dela. Quando sentiu que o filho estava realmente perdendo as forças, ela gritou por ajuda no centro de acolhimento que residia.

O menino de quatro anos segue internado em estado grave no Hospital de Trauma de João Pessoa.

G1

 

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